Resumo
Este estudo pretende apresentar aspectos
relacionados a produção e consumo, baseados na exploração histórica dos
elementos naturais, e o desenvolvimento da sociedade humana em virtude
da alocação destes insumos para as diferentes atividades produtivas, e
que, em virtude disto, conduz o meio ambiente a níveis de deterioração
preocupantes que podem vir a ser valorados com utilização de medidas de
valoração ambiental e indicadores ambientais e sociais alternativos, marcadamente,
a partir da segunda metade deste século.
Palavras-chave: meio ambiente, qualidade ambiental, valoração ambiental,indicadores
alternativos.
1.Introdução
O debate sobre o modus vivendi
da população mundial em relação aos seus hábitos de consumo tem estado presente
em diferentes fóruns, marcadamente a partir da segunda metade deste século,
com uma intensidade cada vez maior e com abrangência crescente.
Em diferentes momentos, locais e atores representando segmentos diferenciados,
o meio ambiente, a utilização de seus recursos e o processo de desenvolvimento
da humanidade tem forjado diferentes opiniões e apresentado perspectivas
que retratam posicionamentos específicos (setores da sociedade envolvidos).
Mesmo pautados numa perspectiva setorizada, individual, com o decorrer
dos acontecimentos - evolução das posições e acontecimentos que marcaram
estes últimos cinquenta anos -, viu-se cada vez mais a intrínseca relação
existente entre os enfoques apresentados. Meio ambiente e reaproveitamento
dos recursos naturais estão, sempre estiveram (mesmo que muitos não o
saibam, não sabiam ou continuam a não querer saber) e continuarão a estar
interrelacionados entre si e também irão refletir a qualidade de vida
e ambiental do planeta.
O desenvolvimento humano e estes elementos, os recursos naturais, também
estão em rota de colisão, a menos que se possa perceber e atuar no sentido
de colocá-los em processo de construção amparando-se conjuntamente - o
meio ambiente, a utilização racional dos recursos naturais, o desenvolvimento
decorrente da exploração destes recursos e a coordenação por parte dos
diferentes atores envolvidos.
Estes atores vem de diferentes segmentos como a iniciativa privada, o
poder público (União, Estados e Municípios) e a sociedade civil (organizada
ou não). A interatividade destes através de um relacionamento comunicativo,
dialógico (e não de forma isolada), é que poderá proporcionar a construção
do conhecimento de maneira racional, processual, alicerçado numa compreensividade
conjunta. Por intermédio deste conhecimento construído a várias mãos,
poder-se-á elaborar, de maneira gradual, participativa e consistente,
o desenvolvimento de melhores condições ambientais, econômicas e de vida.
No Relatório do Banco Mundial (1997), vê-se a necessidade de uma aproximação
entre Estado e público. Na sua página onze, os relatores mencionam que
"os governos são mais eficientes quando escutam as empresas e os cidadãos
e trabalham em parceria com eles na decisão e implementação das políticas."
Este estudo pretende abordar estas temáticas ambientais sob o olhar da
internalização dos custos ambientais e a valoração daqueles recursos que,
independente da atividade humana exercida, são determinantes para a execução
destas e, consequentemente, primordiais para a continuidade da espécie
humana.
2.A questão ambiental e o desenvolvimento
No momento em que se presencia uma conscientização crescente
em torno da temática de desenvolvimento com preservação, vislumbra-se
com maior nitidez a amplitude de tal abordagem. Em relação a esta pode-se
destacar a contribuição de McCormick (1992:17), quando menciona que o
"movimento ambientalista é fundamentalmente relacionado com a proteção
e administração do meio ambiente natural e humano."
Proteger e administrar os meios, natural e humano, para quê? O monitoramento,
a avaliação e uma possível valoração são realmente necessárias? Estas
são perguntas que este estudo pretende debater através dos diferentes
enfoques que iremos apresentar sobre internalização dos custos ambientais.
A conscientização ambiental passa, com certeza, por um processo de transformação
social. Um processo de transformação que envolve uma dada sociedade -
seja ela global, regional ou local, com prioridade para esta última -,
perpassa, necessariamente, por um procedimento de mudança. Mudar atitudes,
enfoques, posicionamentos, maneiras de pensar e agir. Repensar, isto sim,
reorientar posturas e propostas em busca de um melhoramento, conscientizar-se
e conscientizar, através do diálogo e da argumentação para alcançar um
posicionamento consensual.
Está-se testemunhando uma mudança cultural em relação ao meio ambiente?
A gestão dos recursos, a cidadania, a justiça social, a iniciativa privada
e outras instituições estão a fazer uma reconstrução sob novas perspectivas?
Estes são outros questionamentos que se busca descortinar por intermédio
de uma revisão em torno da temática de valoração e internalização ambiental.
Os desequilíbrios acarretados em razão do nosso processo de evolução,
os padrões insustentáveis de consumo e produção e uma atuação conjugada
entre os diferentes atores, todos estes aspectos necessitam, com urgência,
de serem repensados e reelaborados.
No Relatório do Banco Mundial sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente (1992:
2), tem-se:
A proteção do meio ambiente é parte integrante do desenvolvimento. Sem
uma proteção ambiental adequada, o desenvolvimento fica comprometido;
sem desenvolvimento, não haverá recursos para os investimentos necessários,
e não será possível proteger o meio ambiente.
A problemática ambiental, a esgotabilidade
dos recursos e a limitação na absorção dos rejeitos gerados, deve ser
contextualizada em suas dimensões de produção, de educação, institucional
e ambiental. Somente assim, poderemos combatê-la melhor, uma vez que ambiente,
economia, sociedade e instituições são coadjuvantes num mesmo cenário.
Desenvolvimento é manter o bem-estar das pessoas, melhorar a qualidade
e o padrão de vida, de educação, de saúde e de igualdade de oportunidades.
(Relatório sobre o desenvolvimento e o meio ambiente, 1992).
Em 1987, a Comissão Brundtland publicou o relatório Nosso futuro comum
cuja preocupação com as necessidades atuais sem comprometer as necessidades
das gerações futuras caracteriza o princípio geral do desenvolvimento
sustentável. Este relatório destaca a necessidade de se preservar a biodiversidade,
o desenvolvimento de fontes energéticas renovadas e o controle da urbanização
selvagem, entre outros aspectos. Desenvolvimento sustentável é todo aquele
que perdura, satisfazendo as populações atuais e não prejudicando as necessidades
das futuras gerações. Pearce apud Cairncross (1992: 52) tece o seguinte
comentário:
Podemos resumir as condições necessárias ao desenvolvimento sustentável
como constância do estoque de capital natural; mais precisamente, é o
requisito para mudanças não-negativas no estoque de recursos naturais,
tais como solo e sua qualidade, água subterrânea e superficial e sua qualidade,
biomassa terrestre, biomassa aquática e a capacidade de absorção do lixo
dos ambientes receptores.
[ ... ]
Sustentabilidade implica necessariamente que um dado estoque de recursos
- árvores, qualidade do solo, da água, etc. - não deve diminuir.
Percebe-se uma preocupação intrageracional e intergeracional, entretanto,
devemos atentar para a relatividade dos argumentos, a circunstancialidade;
tudo irá depender dos diferentes contextos, das diferentes condições econômicas
e demográficas, entre outras, que irão apresentar os aspectos que nortearão
uma maior ou menor utilização dos recursos, hoje e no futuro. Isto tudo,
deve estar associado a uma compensação dos estoques mencionados e a atividades
de gerenciamento dos mesmos e das atividades correlatas.
Uma sociedade saudável, segundo Korten (1996), não deve usar os seus recursos
renováveis acima da capacidade de regeneração dos seus ecossistemas; não
deve produzir uma quantidade de descartes acima da capacidade de substitutos
renováveis e não deve gerar e emitir poluentes acima da capacidade de
que os seus ecossistemas possam absorvê-los, assimilá-los de maneira natural.
2.1.O ambiente,
problemas e seus efeitos
Os problemas ambientais enfrentados pelos diferentes
países decorrem dos diferentes graus de desenvolvimento em que os mesmos
se encontram. As problemáticas dos ricos - emissões de dióxido de carbono,
chuva ácida e resíduos tóxicos - são diferentes daquelas apresentadas
pelo grupo dos países em desenvolvimento - água insalubre, saneamento
inadequado, esgotamento dos solos, carvão queimado nas usinas.
A sociedade contemporânea apresenta as consequências de uma utilização
acelerada, principalmente nos últimos cinquenta anos, irresponsável e
pouco mensurada em relação aos recursos naturais e os diferentes processos
produtivos. Estes recursos que participam como insumos na produção, fontes
de energia e receptores dos rejeitos gerados - sejam nos cursos d'água,
no ar ou no solo - , são aqueles mesmos que poderão e serão necessários
para a manutenção do equilíbrio natural e das condições de vida no planeta.
O Relatório sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente do Banco Mundial (1992)
destaca que os países ricos tem um papel determinante não só em relação
aos seus problemas ambientais, mas também em relação aos problemas dos
países em desenvolvimento. Este relatório apresenta algumas das iniciativas
que devem ser levadas a efeito para que os problemas ambientais possam
ser minimizados:
1.Os países em desenvolvimento necessitam de tecnologias mais limpas e
menos poluentes e, também, de aprender com as políticas ambientais dos
países industrializados;
2.A proteção das florestas e da biodiversidade nos países em desenvolvimento
beneficiam os países ricos, sendo assim, estes, os ricos, devem arcar
com parte dos custos;
3.Alguns dos problemas ambientais que afetam todo o planeta - aquecimento
global e destruição da camada de ozônio - decorrem dos níveis de consumo
dos países ricos e estes devem encontrar soluções e estas devem ser implementadas;
4. [ ... ];
5.A capacidade de crescimento e desenvolvimento dos países em desenvolvimento
dependerá das políticas econômicas dos países industrializados.
Os problemas que iremos listar a seguir não se esgotam em si mesmos e
são relacionados às diferentes prioridades de cada país. Em virtude disto,
cada país deve avaliar a sua situação particular com cuidado e, em o fazendo,
priorizar políticas que venham a proporcionar uma melhor utilização dos
recursos naturais.
Na tabela 1 apresentam-se algumas das principais consequências de um mau
gerenciamento do meio ambiente. Estes problemas caracterizam-se pela escassez
e poluição da água, poluição do ar, resíduos sólidos e tóxicos, degradação
do solo, desmatamento e mudanças atmosféricas e os efeitos sobre a saúde
e a produtividade.
Tabela 1 - Principais consequências
do mau gerenciamento do meio ambiente para a saúde e a produtividade
| Problema ambiental |
Efeitos sobre a saúde |
Efeitos sobre a produtividade |
| Escassez e poluição da água |
A poluição contribui anualmente para mais de 2 milhões
de mortes e para bilhões de casos de doença; a escassez resulta em
higiene Doméstica precária e em mais riscos para a saúde. |
Diminuição da pesca; a obtenção de água potável acarreta
custos para os municípios e desperdício de tempo para as famílias
da zona rural; esgotamento dos aquíferos, resultando em compactação
irreversível; atividade econômica restringida pela escassez de água. |
| Poluição do ar |
Os níveis excessivos de matéria particulada nas zonas
urbanas são responsáveis por 300-700 mil mortes prematuras anualmente
e por 50% dos casos de tosse crônica em crianças; nas zonas rurais,
400-700 milhões de pessoas (sobretudo mulheres e crianças) são afetadas
pela fumaça em recintos fechados. |
Restrições ao uso de veículos e à atividade industrial
durante épocas críticas; efeito da chuva ácida sobre florestas, lagos
e rios. |
| Resíduos sólidos e tóxicos |
O lixo em decomposição propaga doenças e obstruí esgotos.
Os resíduos tóxicos representam, em geral, um risco localizado, mas
grave. |
Poluição dos lençóis freáticos. |
| Degradação do solo |
Menos alimentos para os agricultores pobres que cultivam
solos esgotados; maior vulnerabilidade à seca. |
Perda de produtividade de 0,5%-1,5% do PNB comum em
solos tropicais; sedimentação de reservatórios, leitos de rios navegáveis
e outros investimentos hidrológicos. |
| Desmatamento |
Inundações localizadas, que acarretam mortes e doenças. |
Perda do potencial madeireiro sustentável, e também
da proteção contra a erosão, da estabilidade das bacias hidrográficas
e da capacidade de absorção do carbono, proporcionadas pelas florestas. |
| Mudanças atmosféricas |
Possíveis mudanças nas doenças transmitidas por vetores;
risco de desastres climáticos naturais; doenças causadas pela destruição
da camada de ozônio (cerca de 300 mil casos adicionais de câncer de
pele no mundo anualmente; 1,7 milhão de casos de catarata). |
Danos nos investimentos litorâneos, causados pela elevação
do nível do mar; alterações regionais na produtividade agrícola; ruptura
da cadeia alimentar marinha. |
Fonte: Relatório sobre Desenvolvimento Mundial 1992
- Desenvolvimento e Meio Ambiente.
Os problemas ambientais podem acarretar
três categorias de custos tanto para a sociedade atual quanto para as
futuras. O primeiro diz respeito a saúde humana. O segundo refere-se a
diminuição da produtividade econômica. O terceiro refere-se ao "valor
de conforto" e a sua perda, que está associado a satisfação de habitar
um meio ambiente limpo.
A recuperação ou retração nestas problemáticas relacionadas faz parte
de uma construção multifacetada. Esta revolução ecológica em busca da
reversão dos quadros apresentados é, de acordo com Korten (1996: 315),
" ... abrangente e clama a participação de todos aqueles que procuram
criar sociedades saudáveis onde a vida possa florescer. O interesse humano
não é o interesse das corporações, mas é o interesse de todas as pessoas."
2.2.Valoração ambiental
A orientação em relação ao nosso desenvolvimento deverá estar inserida
numa relação harmônica entre processos econômicos e os limites da biosfera.
A percepção sobre o que queremos determina, na atualidade e em virtude
de um passado cumulativo recente, a colocação dos aspectos econômicos
- produção e consumo - à frente de aspectos relacionados aos valores ecológicos.
Em momento algum pode-se deixar de perceber, e o passado vem mostrando
o contrário, a dependência da economia em relação ao ambiente natural.
A biosfera, nos três últimos séculos, vem demonstrando a sua capacidade,
e os limites desta, como fornecedora de recursos e como receptora dos
resíduos gerados pela produção e pelo consumo no processo de desenvolvimento
humano. O desenvolvimento econômico mundial acarretou a destruição do
ambiente natural e proporcionou um crescimento significativo da pobreza.
As externalidades ocorrem quando as ações de uma pessoa ou empresa prejudicam
ou beneficiam outros sem que a pessoa ou empresa pague ou receba compensação,
respectivamente, representadas pelos efluentes despejados em um rio ou
as doenças pulmonares e a contribuição ao efeito estufa ou chuva ácida
provocada pelo enxofre contido no carvão.
Internalizar custos ambientais refere-se a inseri-los nos preços dos bens
produzidos, definindo-se valores para o meio ambiente degradado, de modo
que estarão internalizados também os custos sociais. O Princípio Poluidor-Pagador
(PPP), definido e sistematizado pela OCDE em 1975, é o mecanismo mais
utilizado para esta internalização.
A valoração ambiental , podendo ser dividida em métodos diretos e indiretos,
apresenta-se como mecanismo importante no dimensionamento de impactos
ambientais, bem como da necessidade que tem-se de mensurar os custos e
os benefícios com as atividades humanas decorrentes da evolução do nosso
processo de conhecimento. Entre os métodos diretos, aplicados quando uma
mudança na qualidade ambiental ou na quantidade de recursos naturais afeta
a produção ou a capacidade produtiva, temos os do preço líquido, de mudanças
na produtividade, relacionados a custos de doenças, custos de reposição
e custos de mitigação. Os métodos indiretos, baseados em avaliações subjetivas
de valoração ambiental, compreendem-se dos métodos de valoração contingente,
dos custos de viagens e dos valores hedônicos.
O método do preço líquido considera o preço líquido de mercado de recursos
naturais (deduzidos, portanto, seus custos de extração) multiplicado pelas
unidades físicas destes recursos. Requer dados atuais de preços e custos
de extração. A baixa nos estoques de minérios, peixes, madeira, entre
outros recursos naturais, podem ter seus valores evidenciados por este
método.
As mudanças na produtividade avaliam as mudanças causadas por impactos
ambientais. Neste caso, a queda na produtividade agrícola pode demonstrar
o custo ambiental da degradação do solo, as reduções na produtividade
econômica devido à escassez e/ou contaminação de recursos hídricos evidenciam
o impacto da perda desses recursos e a diminuição da produtividade humana,
ocasionada pelo stress pode estar associada à poluição atmosférica e sonora.
No método do custo das doenças, o nível de exposição à poluição é associado
ao nível de saúde humana e a decorrente perda de produtividade associada
a esta exposição.
Os custos de mitigação estabelecem padrões de qualidade ambiental e a
estimativa do custo monetário para se manter ou alcançar esses padrões
como, por exemplo, o nível máximo de emissão de efluentes determinado
por legislação pertinente.
Os custos de reposição avaliam os gastos necessários para repor a capacidade
produtiva de um recurso natural degradado. Estes custos seriam os valores
reais, a preço de mercado, de alternativas tecnológicas capazes de (pelo
menos em parte) restaurar serviços ambientais que tenham sido destruídos,
provocando a sua diminuição.
Os métodos indiretos compreendem-se dos métodos de valoração contingente,
custos de viagens e os valores hedônicos. O método de valoração contingente
utiliza o processo de perguntar as pessoas o quanto elas estariam dispostas
a pagar pela restauração ou preservação do ambiente ou quanto estariam
dispostas a receber como compensação pela queda na qualidade ambiental.
O método dos custos de viagem é geralmente aplicado na valoração de ambientes
protegidos como parques, áreas de lazer, locais de proteção ambiental.
Consideram-se, nestes custos, os gastos com as viagens para estes locais,
sendo o custo o somatório de todos os valores relacionados com a viagem.
O método hedônico utiliza preços de mercado para bens e serviços ambientais
a fim de que seja estimado um valor ambiental embutido no preço.
Na década de 80 começamos a verificar que as empresas implementam mudanças
gradativas sob a perspectiva da responsabilidade ambiental, encarando-a
como uma necessidade de sobrevivência, conforme podemos verificar através
de alguns fatores que incentivaram para essa mudança comportamental. O
Quadro apresentado a seguir tenta retratar esta nova situação.

De acordo com este quadro percebe-se um incremento ambiental
em virtude de todos aqueles atores intervenientes no meio onde a empresa
se insere. Cabendo a esta adequar-se a novas situações e exigências dos
diferentes intervenientes e, com base nisto, co-interar e buscar o seu
enquadramento no mercado sob uma perspectiva voltada ao seu desenvolvimento
dentro de aspectos de sustentabilidade empresarial, social e ambiental.
2.3.Indicadores ambientais alternativos
Com o advento da temática ambiental marcado com maior
intensidade no momento em que o mundo percebeu a problemática com o livro
Primavera Silenciosa (Carson, 1962) onde eram expostas situações preocupantes
em relação ao ambiente e a indústria química, mesmo que não estejamos
num marco zero, ou seja, anteriormente falava-se de aspectos ambientais,
mas aqui fez-se esta opção, face ao impacto proporcionado pela publicação
mencionada, e a partir de então, o meio ambiente e as ações antrópicas
decorrentes do nosso processo evolutivo ficaram mais destacadas e aguçando
a curiosidade e preocupação das diferentes sociedades independentemente
do seu estágio evolucionário. Isto pode ser percebido no momento em que
governos, organizações, empresas e sociedade civil interagem em diferentes
fóruns e momentos com o objetivo de minimizar os impactos decorrentes
do processo de produção mundial e as suas ineficiências oriundas do seu
nível de conhecimento.
Com este cenário em modificação percebe-se a carência quanto a maneiras
de mensurar o meio ambiente e a necessidade de utilizar indicadores que
não mais retratassem tão somente a atividade econômico-produtiva, mas
sim, e com importância fundamental, a inserção nestes indicadores, digam-se
indicadores alternativos, da variável ambiental como forma de estabelecer
critérios para que o meio natural seja acompanhado bem como aspectos relacionados
a problemática da qualidade de vida.
Entre estes indicadores temos o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH
que contempla uma série de indicadores sociais que procuram refletir o
nível de desenvolvimento humano de um país combinando três elementos:
expectativa de vida, analfabetismo e renda. Este índice demonstra a incompatibilidade
do Produto Nacional Bruto - PNB como índice de bem-estar, pois, alguns
países com PNB alto, caracterizam-se por apresentar uma renda per capita
alta mas, contraditoriamente, apresentam um desenvolvimento humano inferior,
como se pode verificar entre as economias de países como Argélia, Chile
e Costa Rica. Um segundo indicador que se apresenta é o Índice de Qualidade
de Vida Física que procura agregar dados e estatísticas em relação a mortalidade
infantil, analfabetismo e expectativa de vida, carecendo, entretanto,
de dados sobre direitos humanos. Para atenuar esta deficiência, foi desenvolvido
o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico Autêntico - ASEDI, que se baseia
num índice de direitos humanos e procura expressar, numericamente, o nível
relativo de desenvolvimento e bem-estar de um país.
Percebe-se, em relação aos três Índices anteriormente apresentados um
carência em relação a aspectos ambientais, contudo, nota-se uma nítida
preocupação com fatores relacionados a expectativa de vida, mortalidade
infantil, renda, analfabetismo e respeito aos direitos humanos representado
pelo grau de liberdade e existência de instituições democráticas.
Como um último indicador a ser apresentado, e preenchendo a lacuna dos
demais em relação a temática ambiental, tem-se o Índice de Bem-Estar Econômico
Sustentável. Os indicadores anteriores omitem considerações sobre o ambiente
natural e que, nesse caso, são considerados e incluídos elementos ambientais
e sociais. Esse índice começa seus cálculos com o consumo privado, ajustando-o
à distribuição de renda e apresenta como ajustes negativos o consumo de
recursos naturais não-renováveis, impactos ambientais de longo prazo,
consumismo e propaganda, gastos privados com saúde e educação, custos
de transporte, urbanização, acidentes de carro, custos de poluição da
água, do ar e sonora e ainda perdas de solo e áreas de várzea; como ajustes
positivos tem-se, entre outros, consumo de bens duráveis.
Percebe-se que estes ajustes procuram retratar aspectos relacionados,
no caso dos elementos ambientais, indicadores que venham a representar
um consumo racional e controlado, e que, preferencialmente, utilizem-se
recursos naturais renováveis e, aspectos relacionados a urbanização possam
denotar uma qualidade ambiental melhorada ou com tendências a uma melhor
utilização.
3.Conclusão
Este estudo procurou apresentar aspectos relacionados
ao meio ambiente e a necessidade de uma compreensão em relação a possibilidade
de poder-se continuar a interagir de uma maneira menos unilateral, como
até então vinha acontecendo, e em face da necessidade de minorar os impactos
sofridos pelo meio ambiente em virtude do nosso crescimento econômico,
a valoração monetária ambiental.
A luta em busca de uma natureza, fornecedora dos recursos que tanto necessitamos
- a água é um deles e, talvez, um dos principais -, sadia e recuperada,
mesmo que parcialmente, apresenta-se como uma tônica, bastante significativa,
verificada por intermédio da literatura pesquisada. Esta significância
é demonstrada através da preocupação de organismos como o Banco Mundial,
a ONU e o PNUMA, para mencionar apenas alguns. Guardados os diferentes
graus de desenvolvimento nas diferentes sociedades e inerentes a qualquer
município ou país, as nossas angústias são as mesmas.
Por intermédio da valoração monetária ambiental e dos indicadores alternativos
pretendeu-se demonstrar as diferentes maneiras que alguns enfoques apresentam
como forma de regular o uso indiscriminado dos nossos recursos naturais.
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