A Organização e a Complexidade de seus Ambientes
Entrevista com Dr. Clóvis Massaúd
Consultor de Empresas
PROGRAMA: ACONTECE O SEGUINTE
TV: UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
UBERLÂNDIA , AGOSTO DE 2000
Entrevistador:
"
Submentendo a um processo de mudanças contínua”, quais
seriam, Dr. Massaúd os impactos dessas mudanças?
Entrevistado:
Dr. Massaúd Boa noite, é um prazer estar em Uberlândia
pela enésima vez. Eu já perdi a noção do tempo,
em função do curso que a Fundação Getúlio
Vargas, e eu não poderia deixar de mencionar, mantém em convênio
com a TOP EVENTOS eventos, então a gente tem vindo seguido à Uberlândia,e
eu me sinto bem. A sua pergunta, ela dá um sentido, e eu tenho que me
cuidar porque sou prolixo por natureza, ela tem um sentido que pode tangenciar
a periculosidade. Por que tangenciar a periculosidade? Eu trabalho com cenários
futuros. Trabalho com Método Delfos, a minha área é planejamento
estratégico então eu estudo muito a organização
em função do ambiente no qual ela está inserida no momento
atual, e eu ainda falei isso agora em abril na Europa na conferência
que fiz por ocasião dos 500 anos do Brasil, da descoberta do Brasil,
o que se quer falar em mundo sem fronteiras, em globalização,
em neoliberalismo nos reporta a um outro aspecto já que não pode
ser esquecido que as linhas acadêmicas e as linhas empresariais não
estão pensando bem, que é o enfoque Geopolítico, geoeconômico
e geoestratégico e a partir desse aspecto tripartite é que a
gente pode tentar buscar não digo um solução, mas uma
diagnose mais abrangente e profunda da realidade atual.
Entrevistador:
Agora, já que Senhor mencionou a Europa, o que o Senhor acha da experiência
britânica da Terceira Via? Afinal de contas, ela seria realmente uma
alternativa a se contrapor ao capitalismo predatório, ao socialismo
decadente.
Dr. Massaúd:
Aproximadamente, há uns 15 anos atrás, Mário Soares, em
Portugal, falou que nós teriámos que buscar uma terceira alternativa,
já que o socialismo e o capitalismo não seria o ideal já tinham
perdido a sua razão de ser, 10,12, 15 anos atrás, não
me lembro bem, sem ser irônico, respeitando a Inglaterra, a 3° Via
no momento me reporta a Sófocles, da Escola Sofista, eu não sei
até que ponto tem validade, eu não sei até que ponto ela
tem sustentação, é claro que a sociedade tem que buscar
uma alternativa, os empresários tem que buscar uma alternativa, nós
acadêmicos e consultores temos que buscar uma alternativa. A juventude
que aí está precisa ter um apoio neste sentido, todavia, porém,
e sempre há um porém, não sei se ainda está amadurecido,
cristalizado no seu sentido purista o aspecto da 3° via ela ainda numa ótica
pessoal, ainda que miópe, ela ainda, não está de um todo,
consolidada dentro de um processo da construção do conhecimento,
talvez como laboratório seja o momento adequado mas que vá se
cristalizar não se ainda realmente não tenho convicção.
Entrevistador:
Agora, como é que se daria o processo, por exemplo talvez fosse uma
das conseqüências de o processo da 3° via não ter se
consolidado, o processo de sensibilização do empresariado no
aspecto social. Como o Senhor vê está questão?
Dr. Massaúd:
É
uma questão dúbia que tangencia muitas vezes a impessoalidade;
nós passamos a ser vistos meramente como estatística.Eu sigo
uma escola comportamentalista a de Simon e de Beckard , então eu creio
que o empresário, e nós entramos um pouco numa área de
marketing que não é a minha, ele tem que procurar saber o que
que a clientela quer e não forçar a clientela mas, há um
detalhe, no que concerne ao empresário eu tenho dito isso em várias
oportunidades inclusive na Europa onde eu seguidamente vou e aqui no Brasil
fundamentalmente eu costumo traduzir isso em sala de aula e nas minhas conferências
e nas consultorias que faço o seguinte; se eu quero ter um cliente satisfeito
eu preciso ter um funcionário satisfeito, eu parto do princípio
da cultura organizacional, então o empresário ainda que ele seja
bem intencionado, e eu não estou dizendo que eles nào sejam já que
o lucro não tem sentido eu montar uma empresa sem prever o lucro não
tem sentido, mas eu não posso fugir do aspecto comportamentalista, ou
seja eu não posso ver no meu fucionário apenas uma estatística;
e sim uma pessoa com pespectiva de vida com seus sonhos, com seus ideais, à busca
de conhecimento, tranquilizar a sua família, isto tem que ser introjetado
na mentalidade dos empresários. Agora, eu fico temeroso e aqui entra
um aspecto, eu sou tido como emotivo por ser latino etc, não tem nada
a ver o pragmatismo puro e simples e eu vou ser repetitivo sem ofender a inteligência
de quem está nos assistindo se eu quero ter um cliente satisfeito eu
preciso ter um funcionário satisfeito e nem todo o empresário
ainda chegou nesta conclusão.
Entrevistador:
Agora eu perguntaria, pela sua experiência inclusive pela sua própria
vivência, será que os empresários estão satisfeitos
e por via de conseqüência será que os funcionários
das empresas estão felizes?
Dr. Massaúd:
Aí nós entrariámos num processo talvez socrático,
o que que é a felicidade? Mas nós não vamos entrar nesta área
pois se não nós vamos ficar, não divagando mas entrando
numa outra área mais epistemológica passando por Aristóteles
por Platão enfim; não seria o caso, a questão da satisfação
no dia em que ela chegar em sua plenitude, no dia em que a satisfação
chegar em sua plenitude é o linear do ocaso é o início
do fim tanto o empresário como o senhor como eu, como o câmera,
como o Senhor Suite como as pessoas que estão nos assistindo o dia em
que nos entendermos que chegamos a plenitude da nossa profissão ou no
aspecto talvez mais idílico, mais romântico, mais crepuscular
do romantismo o dia em que nós chegarmos a este apogeu é o linear
do ocaso.
Entrevistador:
Vou transferir um pouquinho o enfoque da pergunta: será que estaríamos
trabalhando com o clima de criatividade à flor da pele?
Dr. Massaúd:
Não senhor. Veja bem, e eu digo isso por experiência em 72 organizações
de médio e grande porte, eu digo isso pelo excelente nível de
clientela que nós temos na Fundação Getúlio Vargas.
Há 4 tipos de cultura organizacional: a diretiva, a neutra, a protetora
e a espírito de equipe. Predomina a cultura diretiva dentro dos empresários,
dentro dos executivos dos empresários o que é uma cultura diretiva "eu
determino eu quero isto e não troco idéia com meu staf, isto é o
que está predominando eu diria sem medo de errar em 70% das organizações
para as quais passei e pelos exercícios que aplico 70% das organizações
tem a sua cultura organizacional diretiva, isto é, eu mando e tu tens
que cumprir.
Entrevistador:
E muito memorando aí?
Dr. Massaúd:
Eu costumo dizer que em certas organizações os executivos, de
certa forma, ressuscitaram Max Weber. A esta altura ele deve estar tremendo
lá no túmulo porque volta e meia nós o ressuscitamos.
Mas e não há nada de pejorativo nisso. No momento adequado serviu
a escola burocrática, a verdade é que enquanto nós não
conscientizarmos o empresariado, os executivos e eu já passei por organizações
que no momento em que uma pessoa é guindada, é elevada a função
de diretor ele passa a ser onisciente, onipresente, onipotente, não
existe isto, esse ecletismo não existe, essa cultura diretiva leva ao
que a falta de definir objetivos compartilhados e no momento em que eu não
tenho objetivos compartilhados com meu staf, com minha equipe de apoio, tacitamente
eu não tenho comprometimento deles, o fator motivacional vai por água
abaixo, então eu como executivo, hipoteticamente falando, ou eu como
diretor de empresa ou empresário eu que tenho com o meu staf, trocar
idéias, porque é através da troca de idéias, é através
da fertilização cruzada que eu poderei minimizar os erros e inclusive
tomar uma tomada de decisão mais consistente, e este pecado nós
estamos passando e lhe digo por cruzar este Brasil inteiro através de
uma das entidades que eu me orgulho de fazer parte que é a Fundação
Getúlio Vargas.
Entrevistador:
Muito bem, nós vamos estabelecer a primeira pausa para o intervalo na
seqüência retomaremos o Programa Acontece Seguinte, de hoje, que
entrevista o consultor Clóvis Massaud.
**************
Entrevistador:
Olhando pela janela do mundo, temos percebido claramente que ou emprego está no
fim ou não terá mais lugar para todo mundo?
Recente pesquisas realizadas no Japão e também na França,
indicam que os funcionários acabam trabalhando de 4 a 5 horas dentro
de uma jornada normal de 8 horas de trabalho. Como o Senhor avalia isso? Será que
nós realmente não conseguimos administrar bem o nosso tempo,
nosso tempo ou nos tornarmos dispersos dentro da nossa atividade produtiva?
Dr Massaúd:
Eu teria que ser maiêutico, momentaneamente, há um estudo do Instituto
de Hudson, onde existe,se trabalha muito com método Delfos e uma projeção,
uma prospecção de cenários futuros que até o ano
de 2020 não se sabe quais serão 80% das novas profissões
não se sabe quais serão, então está impactante
na medida direta em que, o que vai acontecer de novo no mercado; por exemplo
hoje eu mantenho curso à distância via internet, mas temos que
considerar que independente da tipologia de organização, independente
da jornada de trabalho há um aspecto que cristalizando-se cada vez mais
aqui e na Europa, que é a busca constante da gestão empresarial. É impressionante
o que se verifica aqui, tanto aqui quanto na Europa engenheiros, médicos,
dentistas, advogados em busca de curso de gestão para saber como comandar
como ser executivo. Isto me reporta, me leva a uma outra linha de raciocínio,
as pessoas fizeram a sua opção certa no momento da vida acadêmica,
eu não vou dizer que não fizeram, só que o complexo hoje
está se tornando, a vida profissional está se tornando tão
complexa em que muitos de nós ou precisamos ter conhecimentos mínimos
basilares sobre administração ou não sobreviveremos com
as nossas próprias profissões. Por que eu posso pegar um médico
para ser diretor, um excelente cirurgião vou colocá-lo na direção
do hospital ele pode jogar o hospital em baixo, bom e o que, e agora respondendo
mas diretamente a sua pergunta há um determinado momento em que nós
teremos um nível de ociosidade, a grande pergunta que se faz e aí entra
o aspecto da maiêutica, é como trabalharmos com esta ociosidade,
quando, através do próprio método delfos, se sabe que
no ano 2015 nós teremos apenas 7% da população do mundo,
7% da população do mundo plantando para alimentar 93%, e aí?
Esse pessoal, esse êxodo rural vai encontrar trabalho aonde se as cidades
ainda não estão ainda estrutura adequada para isso? É um
problema tremendamente sério, é um problema que em algumas sociedades
mais desenvolvidas está se estudando com profundidade e em sociedades
em vias de desenvolvimento o que um eufemismo de países emergentes,
também se está pensando nisso, só que não se encontra
alternativa, ainda não se encontra alternativa.
Entrevistador:
Eu gostaria de uma leitura sobre o cenário que eu vou desenhar:
Cada dia mais os universitários, os jovens estão chegando mais
cedo às Universidades e conseqüentemente, eles tem que optar por
uma carreira, eles tem que fazer uma escolha profissional; hoje os jovens aos
16, 17 anos eles tem escolher uma profissão, como o senhor avalia isso,
e quais seriam os impactos para o futuro?
Dr. Massaúd:
Veja bem, há um paradoxo: de um lado o talento da juventude cada vez
aflorando mais e de outro lado, e com devido respeito com a juventude, parece-me
precoce demais, demasiadamente precoce aos 16 optar por uma carreira profissional.
Tanto assim que é possível que ocorra na sua universidade como
ocorre na minha,lá no Rio Grande do Sul, de jovens que ao longo do curso
trocam, por que não era exatamente aquilo que querem, trocam de curso,
e eu tenho visto, tenho presenciado na minha vida profissional pessoas já graduadas
com 3° Grau completo, voltando a fazer uma nova graduação
porque não era exatamente aquilo que queriam, se de um lado nós
temos que aproveitar esta pujança, o vigor da juventude, o talento,
parece-me que falta, não uma orientação adequada, mas
um vislumbrar daquilo que o futuro pode oferecer.
A era da incerteza! Analisando Sartre. Qual é a idade da razão?!
Não tem-se idade da razão, depende de cada um de nós,
e veja bem, e veja bem, aí me reporta Schopenhauer, nós temos
que evitar de ter, cometer os mesmos erros, embora nossa juventude não
esteja cometendo os mesmos erros, a juventude está num determinado momento,
e agora que peço para fechar comigo, a juventude está num determinado
momento ao sabor daquilo que o meio ambiente lhe oferece; e este sabor que
o meio ambiente lhe oferece não está de todo definido, nós
temos que acreditar na juventude, ela é o futuro deste país,
este país precisa alavancar, este país precisa sair da inércia,
só que, a juventude ainda não está o suficientemente preparada,
ou em casa ou com orientação adequada dentro das Universidades,
ou dentro do 2° Grau, para saber que opção profissional terão,
e é uma lástima muitas vezes, verificarmos que nós temos
talentos, QIs altamente privilegiados na incerteza sem saber que rumo tomar
no aspecto profissional.
Entrevistador:
Existe também um outro aspecto, Dr. Massaúd, que é a questão
relativa ao um conceito que está ganhando vulto, saiu da esfera médica
e entra em outras áreas do conhecimento do mercado que é a figura
do generalista, já não se admiti mais a figura do especialista,
a pessoa tem que ser necessariamente generalista; e como ser generalista dentro
deste contexto?
Dr. Massaúd:
Não é uma opinião, é um parecer, pois quem dá opinião é leigo,
nesse assunto vou dar um parecer com o devido respeito a quem está me
assistindo, eu tenho receio do generalista, porque o generalista se de um lado
o ele tem uma capacidade de abrangência magnífica, eu temo pela
profundidade em alguns assuntos; e na medida em que eu tiver executivos ou
técnicos demasiadamente generalistas, eu sei que eu que poderei contar
com este técnico até um determinado nível de profundidade,
e se eu desejar, se eu precisar, de um nível e abrangência e profundidade
maior, onde eu vou buscar no generalista? Num generalista?
Há uma expressão do Prof. Sardinha, que foi coordenador da Fundação
Getúlio Vargas, onde diz hoje em dia somos vistos como vítimas
Jacque estripador, ou seja por partes! E o generalista me leva a isto, quer
dizer, ele sabe um pedacinho de cada coisa mas sem profundidade de nada. Eu
tenho medo disso aí, há um nível acadêmico, a um
nível empresarial a um nível de técnico eu tenho medo
do generalista. Que me perdoem.
Entrevistador:
Dr. Clóvis Massaúd, a crise não é democrática,
não é igual em a todas as empresas. Como o Senhor vê este
aspecto?
Dr. Massaúd:
Teoria do casuísmo; é muito simplista respondendo desta forma.
Cada caso é um caso, e veja bem, em 1924 criou-se o enfoque sistêmico,
e o enfoque sistêmico nos diz, mas, sem a pretensão acadêmica,
que as organizações devem estar abertas ao ambiente na qual elas
estão inseridas, e veja bem, se as organizações não
interagirem com o ambiente, pode acontecer isto que está manifestando.
Então, há uma necessidade constante de que as organizações
percebam as mutações e ao perceberem as mutações
adequarem-se a elas.Internamente cada organização é uma,
com suas peculiaridades, com suas características executivas, com sua
cultura organizacional, então, o ambiente externo pode até ser
o mesmo. Dois concorrentes por hipótese, as loiras da Brahma, Antártica,
Sckol; seja as que forem, o ambiente pode ser idêntico, a demanda com
similitude, mas internamente pode ter procedimentos diferentes de gerenciamento
e de linha de produção. Aí está a diferença.
Entrevistador:
Mas dentro deste conceito, quer dizer o ambiente ele é dinâmico
e as mudanças também o são?
Dr. Massaúd:
O ambiente externo é dinâmico e o grande detalhe das organizações
no que concerne internamente é que nem sempre elas são dinâmicas.
Por quê? Porque, aí eu retorno ao que nós falamos anteriormente,
predomina no Brasil culturas diretivas, isto é, eu mando e não
ouço meu staff, não há objetivos compartilhados, para
se ter uma idéia, dos 72 planejamentos estratégicos que eu tive
oportunidade de fazer para médias e grandes empresas, 70% tem problema
de implantação, e tiveram problema de implantação
por falta de comunicação interna. Interinamente as organizações
não se entendem; então não adianta determinado setor de
marketing ou recursos humanos ou produção ou financeiro perceberem
uma mutação ambiental externa se no contexto interno não
houve um entrosamento, um processo interface, isto por incrível que
pareça no ano 2000 ainda ocorre nas organizações. A falta
de comunicação!
Entrevistador:
E ocorre por qual razão determinante, seriam feudos instalados nas empresas?
Dr. Massaúd:
Bom aí nós entraremos em outra linha de raciocínio, quando
eu tenho uma cultura diretiva,se eu não tiver cuidado se eu sou um executivo
na cultura diretiva eu tenho que ter muito cuidado porque eu posso criar uma
organização informal dentro da dentro da organização
formal, e aí reside ou pode ser o repousário da sua colocação,
eu criar feudos antagônicos a organização formal; esse é o
limiar do ocaso, e isto por incrível que pareça ocorre nas organizações,
muitos empresários vão discordar de mim.
Entrevistador:
E agora nós temos um cenário em que tem apontado para sensíveis
mudanças para o comportamento das empresas familiares. O que o Senhor
poderia nos dizer a respeito?
Dr. Massaúd :
Eu tive a oportunidade, sem citar nome, de março estar em uma grande
empresa familiar, e não adianta dizer que empresa familiar tem seus
vícios; qualquer empresa tem seus vícios, porém estão
ocorrendo um detalhe, estão partindo para o processo de contratação
de executivos, ficam no conselho, muitas delas estão partindo para isto,
ficam no conselho e contratam executivos profissionais para atuar nesta área,
porque quer queira quer não, aquela história de que a primeira
geração constrói, a segunda consolida e a terceira....,
lamentavelmente isto ocorre, muitas vezes agora eles estão partindo
para contratação de executivo, porém, e sim eu vou repetir
sempre há um porém, tem que ter muito cuidado neste executivo,
porque este executivo não vai introjetar de saída a cultura de
organização tanto que a experiência que se teve com outsider
acabou não dando em nada, agora se eu pegar alguém de dentro
e transformar em um executivo eu poderei gerar descontentamento internamente
nos outros funcionários, se eu trouxer de fora, eu terei que ter muita
habilidade, porque trazer um executivo de fora, a situação é complexa,
porém - porém , eu já repeti demais -, não obstante,
as organizações familiares estão percebendo que não
pode só ficar na mão da família porque começa a
ter desentendimentos internos.
Entrevistador:
Agora dentro da sua área...
Dr. Massaúd:
Eu sou estrategista e geopolítico
Entrevistador:
Como melhorar o planejamento e o controle financeiro?
Dr. Massaúd:
Veja bem é uma relação de custo e benefício, qualquer
procedimento que eu queira fazer preciso lançar mão do custo
benefício, eu preciso lançar mão.... point, do financeiro,
do ponto de equilíbrio, em cima do ponto de equilíbrio e que
eu poderei definir o meu retorno sobre o investimento e aí saber onde
alocar, se é na área de produção, se na área
de recursos humanos, se na área de treinamento, se é na área
de logística, se é na área de aquisição
de matéria prima, porque se eu quiser ser competitivo lá na ponta
do marketing eu tenho que ser muito bem competitivo na questão da aquisição
da matéria prima; é um detalhe, que os empresários sabem
disso, evidentemente, jamais, pleonasmo vicioso, consciente que é um
pleonasmo vicioso, nunca jamais depender puro e simplesmente de um fornecedor,
claro a na revenda de automóveis aí é diferente, mas eu
estou dizendo quando se tem um portfólio diversificado, não depender
mais de 30 excepcionalmente 35% de um fornecedor de matéria prima assim
como não termos mais de 30% de um comprador do seu produto final.
Entrevistador:
Assim como também não ter apenas e especificamente um grande
produto;
Dr. Massaúd:
É
depende, aí nós entramos na relatividade, tem organizações
que só produzem açúcar, então nós temos
que respeitar esta característica, agora se portfólio for abrangente...
Entrevistador:
Mas diversificar sempre....!
Dr. Massaúd:
Diversificar e muitas vezes, veja bem, além do diversificar, se possível
verticalizar, porque no momento em que eu verticalizo começa a gravitar
os recursos dentro da própria empresa!
Entrevistador:
O Senhor tem percebido, quer dizer, nós estamos gradativamente avançando,
nós tínhamos um mercado de seguimentos, agora nós estamos
partindo para subseguimentos, quer dizer a coisa está evoluindo de uma
maneira ou violentíssima!
Dr. Massaúd:
Violentíssima, e isso me reporta para um diálogo que eu comento
nas aulas; até, eu comento sempre nas aulas, eu vou iniciar minha palestra
sobre, com esta colocação, Alice no País das Maravilhas,
quando Alice chega em uma encruzilhada e pergunta para o gato qual o rumo deveria
seguir, qual o caminho, e o gato responde, olha depende para onde você quer
ir, aí ela diz, olha ainda não sei ao certo onde eu quero ir,
então ele respondeu então não faz diferença qual
o caminho que vai seguir, pode parecer bobagem mas a Panam que foi considerada
a maior organização área do mundo perdeu seu foco porque
diversificou demasiadamente; e perdeu o foco. Atenção organizações
diversifiquem, é necessário mas não percam o foco maior.
A Panam é um exemplo claríssimo insofismável.
Entrevistador:
E agora uma outra, um outro comportamento vicioso, que pode levar a um abismo é aquela
obsessão pela redução de custos, agora não seria
aconselhável, e aí a grande indagação, reduzir
o custo mas melhorar a produtividade?
Dr. Massaúd:
A redução de custos cada vez mais tem aparecido quando se trabalha
com a matriz de Stevenson e quando a estratégia predominante é de
sobrevivência, se trabalha com a redução de custo e paralelamente
a reestruturação organizacional; toda via eu, não posso
ficar só na redução de custo, eu tenho que ter uma aprouche
com relação ao mercado, eu tenho que tentar expandir o mercado,
a redução de custos ela pode ser significativa, ela é necessária,
mas cuidado se eu diminuir demasiadamente meu custo eu posso acabar tendo um
produto final não o suficientemente satisfatório para a clientela
que está lá fora e os concorrentes que estão também
lá fora. A questão toda não resume a um ponto isolado,
a uma administração financeira, a questão toda é um
processo simbiótico para ter efeito sinérgico.
Entrevistador:
Para encerrar, Dr. Massaúd como o Senhor identifica uma empresa madura?
Dr. Massaúd:
Existe um exercício, desenvolvido em 1963 pelo Tavistock Institute de
Londres que desenvolveram o Enfoque Sócio Técnico. Dentro dessa
concepção elaboraram uma matriz analítica denominada de "exame
da cultura da organização" com a qual trabalho com ela a
mais de 30 anos, nós estamos no ano de 2000 e ela continua perdurando
aqui e na Europa, tem 97% de acerto e aí que a gente chega a conclusão
se a organização está madura ou não, se a mobilidade
e flexibilidade dos funcionários adequam-se ao um primeiro momento.
Deixa-me dar uma notícia um tanto quanto catastrófica, eu aplico
este exercício em todos as turmas que passam pela Fundação
Getúlio Vargas, e é dantesco e preocupante as organizações
não perceberem que estamos caminhando para um caos; porque justamente
elas não percebem que precisam amadurecer. Olha eu vou lhe dar um detalhe,
sem citar nomes, o que seria anti-ético, tem organizações
eloqüentes que a desorganização predomina, mantém-se
pela grife, utilizando algo muito comum hoje, é mantém-se pela
grife, é incrível assustador até.
Entrevistador:
Ok, Dr. Massaúd, muito obrigado pela participação no nosso
programa.
Dr. Massaúd:
Quem agradece sou eu e sinto-me a vontade. Fiquei surpreso porque nós
não tínhamos combinado nada previamente e aí está a
essência de um debate, de uma entrevista não ter nada de encomenda,
eu fui pego de surpresa em determinados momentos, espero ter atendido às
expectativas do Senhor as expectativa dos telespectadores e embora eu possa
não ter dito o que alguns dos senhores empresários gostariam
de ouvir, foi apenas uma percepção de alguém que já passou
por 74 organizações e estuda ainda uma hora e meia por dia.
Entrevistador:
Muito obrigado mais uma vez, o Programa Acontece Seguinte, volta na próxima
segunda-feira, a partir da 10 da noite, tenham todos uma boa noite e até lá!