Os artigos dessa seção serão trocados periodicamente. Eles poderão ser utilizados em parte ou no todo, desde que respeitando a autoria.

GESTÃO ESTRATÉGICA

PESQUISA SOBRE GESTÃO E CULTURA ORGANIZACIONAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA

                                        

                                        Prof. Clóvis Massaúd da Silveira

 

                      PESQUISA DE CAMPO

 

PESQUISA/DIAGNOSE SOBRE MÉTODOS DE GESTÃO E CULTURA

ORGANIZACIONAL NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, EM BRASÍLIA,

COMO PRÉ-REQUISITO PARA IMPLANTAÇÃO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Em 1981, após concluirmos o CIPAD - Curso Intensivo de Pós Graduação em Administração Pública, realizado na Escola Brasileira de Administração Pública - EBAP, da Fundação Getúlio Vargas, Núcleo de Brasília, deparamo-nos com uma situação crucial. O tipo de gestão desenvolvida pelas organizações públicas de administração direta, sediadas em Brasília (âmbito do Governo Federal). Mais tarde, em 1982, ao mantermos reuniões constantes com ex-alunos do CIPAD, verificamos, embriorianamente, que as empresas de administração direta eram diferenciadas em sua Direção Executiva, isto é, mais ágeis. Também constatamos que, via de regra, um percentual significativo daquelas organizações não se readequara aos modernos procedimentos gerenciais. Em que pese tal identificação, optamos por não iniciar uma pesquisa dada à carência de um aprofundamento maior na área da administração. Três meses mais tarde, após reunião com colegas da Fundação Getúlio Vargas/EBAP, levantamos o assunto. Por unanimidade, meus pares sugeriram que considerando minha disponibilidade, prosseguisse meus estudos em nível de doutorado. A Professora Ana Maria Campos e Jorge Monteiro incentivou-nos, também, ao doutorado.

Direcionamos, após as disciplinas básicas, para duas áreas de concentração com as quais nos identificamos: Desenvolvimento Organizacional e Planejamento Estratégico. Na fase de elaboração da tese, no que concerne à pesquisa de campo, entrevistamos 300 executivos (200 da administração direta e 100 da administração indireta) e desenvolvemos matrizes analíticas de diagnose.

Após concluirmos a pesquisa, considerando que era uma amostra relativamente significativa no contexto de seu universo, partirmos para a diagnose, tabulação final e prognósticos de implantação, na expectativa de sucesso, de programas de Planejamento Estratégico.

 

 

2 O INSTRUMENTAL

 

Ao longo do inquérito, utilizamos instrumentos já consagrados no meio científico de diagnose organizacional. Para mensurarmos a cultura organizacional e mobilidade/flexibilidade das organizações públicas, trabalhamos a matriz “Exame da Cultura da Organização” (2). Após, com o estudo “Levantamento de Atitudes e Opiniões Gerenciais” (3). Esse instrumento possibilitou-nos verificar os pontos fortes, fracos e incontroláveis das organizações. Dando continuidade, desenvolvemos estudos sobre o perfil de liderança dos executivos. Ou seja, a fim de detectarmos se as chefias eram voltadas para tarefas, pessoas ou ambas. Como reforço aos instrumentos praticados, aplicamos o “Questionário de Identificação Organizacional”. Além desses enfoques, tivemos a preocupação de avaliar os fatores motivacionais dos executivos. Para tanto, utilizamos o “Motivograma” (4). Finalmente, como ponto culminante da pesquisa, usamos um questionário fechado e entrevistas com os 20 executivos da administração direta e 10 da indireta. Todos de maneira individual e impessoal. Deve-se ressaltar que o questionário centrava-se nos paradigmas de “Empresa Saudável” (5).

 

 

3 METODOLOGIA

 

A fim de detectar-se com segurança um processo desta natureza, o recomendável é que se trabalhe com 10% de amostra do universo de funcionários de uma organização. Mais ainda, essa amostragem deve ser representativa de todo o organograma, isto é, de todas as funções/cargos contemplados no plano de cargos da empresa. Do total, 50% ficam de livre escolha da direção, os demais são escolhidos pelo pesquisador de maneira aleatória. Em que pese ser esta uma modalidade segura de desenvolver-se uma diagnose, na pesquisa em questão não tivemos oportunidade de praticá-la. Seria demasiado onerosa. Em razão do motivo exposto, direcionamos, propositadamente, as matrizes, os questionários e as entrevistas para executivos das organizações. Desta forma entendíamos ter uma visão, parcial, mas detentora de pessoas que conheciam bem sua organização (presunção que mais tarde não foi totalmente confirmada). Na busca de maior segurança para o produto final, tivemos a preocupação de abranger quatro áreas funcionais das empresas: Recursos Humanos, Serviços, Financeiro e Centro de Processamento de Dados.

 

3.1 APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS

 

3.1.1 Exame da cultura da organização – ECO

 

3.1.1.1 Cultura Organizacional

 

O que é cultura organizacional? São hábitos e costumes mantidos e praticados pela organização, independente de sua concepção orgânica (predominando a formal ou informal). A cultura organizacional significa e reflete o estilo gerencial da organização. Não se trata de ter-se uma tipologia padrão melhor ou pior. Trata-se, isto sim, de um processo emanado pela cúpula da empresa, o qual, invariavelmente, vai refletir nos atos e práticas dos demais funcionários.

 

3.1.1.2 Mobilidade e Flexibilidade – M&F

 

Aqui, procura-se verificar o grau de mobilidade e flexibilidade da organização. Ou seja, sua agilidade frente a um processo de mudanças. Deve-se considerar que, modernamente, também as organizações públicas devem estar em constante observação da ambiência externa (6), na qual elas estão inseridas, a fim de dar resposta imediata às manifestações ambientais de fora da organização. A organização que não se adequar ao ambiente, inevitavelmente, terá dificuldades de atender a demanda da comunidade que paga seus impostos ao Estado.

Não obstante, além da M&F, pela mesma matriz podemos detectar o nível de reação que as entidades, via funcionários, terão ou não, frente a um processo de mudança planejada. Este item (reagente/não-reagente), ao contrário da cultura e da M&F, não é conclusivo. Pode-se considerá-lo, de início, meramente especulativo. Serve apenas como indicativo que será confirmado através de outros aplicativos mais contundentes no processo de diagnose (principalmente o questionário/entrevista).

Salienta-se que, num processo de análise e diagnose, a aplicação de apenas um instrumento não oferece segurança analítica. Necessário se faz que outras matrizes internalizem-se na dinâmica.

Nos quadros I e II, encontram-se as tabulações do ECO quanto à cultura e quanto à mobilidade e à flexibilidade das empresas públicas de administração indireta e das organizações de administração direta.

 

 

Quadros I, II

 

Exame da cultura da organização (Tavistock Institute)

 

Organizações Públicas

Indireta

200

Direta

100

 

 

Cultura

Diretiva

26,5%

37,5%

Neutra

13,5%

50,0%

Protetora

20,0%

12,5%

Espírito Equipe

40,0%

00,0%

 

Mobilidade &

Flexibilidade

25 Pontos

13,5%

37,5%

30 Pontos

40,0%

37,5%

35 Pontos

33,0%

12,5%

40 Pontos

13,5%

12,5%

 

4.2 Estilo de Liderança

 

Não cabe aqui uma explicação acadêmica do ideal de liderança, das características nas quais deve pautar-se a ação de um líder. No presente ensaio, objetivamos identificar a praticabilidade desenvolvida pelos executivos passíveis dos trabalhos já elencados.

As modernas correntes da administração preconizam o equilíbrio de que os líderes devem estar dotados, isto é, centrados na igualdade perene entre tarefas e pessoas. Segundo os referenciais acadêmicos e laboratoriais, uma organização será melhor operacionalizada quando seus chefes se caracterizarem, na mesma proporção, por agirem identicamente no que tange a tarefas e no que concerne a pessoas. Aliás, esta tem sido, entre outras, uma eterna preocupação dos teóricos e pesquisadores da Ciência da Administração.

A verdade é que, na constante evolução das Teorias da Administração (7), como de resto em outras ciências, todas elas tiveram seu momento supremo e foram, paulatinamente, sendo substituídas por outras. Em que pese as mutações normais dentro das Teorias, e todas elas terem tido sua aplicabilidade em determinado momento da vida da administração, não podemos considerar uma modalidade teórica ou laboratorial, purista da administração. Independente do cenário, as lideranças devem estar atentas às mutações ambientais externas e internas, compreendendo-se, aí, capacidade de liderança.

 

 

Quadro III

 

Estilo de liderança (Matriz de Likert)

 

Diretores/Executivos

Indireta

Direta

 

Tarefas

37,5%

70,0%

Centrado em

Pessoas

33,5%

23,0%

 

Tarefas/Pessoas

29,0%

07,0%

 

4.3 Motivograma

 

A busca constante, perene e segura do ideal de gestão tem sido a tônica dos cientistas que direcionaram seus talentos em prol da administração. De forma que essa árdua tarefa de otimizar a vida organizacional contém, em seu âmago, a contribuição de engenheiros, administradores, psicólogos, sociólogos, economistas e outras ciências que compõem o mosaico do conhecimento humano. Assim sendo, os fatores motivacionais, e aqui adentrando na área da psicologia organizacional, foram passíveis de estudos tendo como sistema caudatário as motivações que levam o indivíduo a realizar-se, inclusive, profissionalmente. Dentre os pensadores que nortearam suas atividades em prol daqueles fatores, encontramos Maslow (08). Sua Hierarquia das Necessidades Humanas tem colaborado no sentido de melhor compreender a ambiência comportamental interna das organizações e tentar humanizar a empresa que, normalmente, até então, direcionava suas preocupações calcadas nas tarefas e na estrutura orgânica.

Maslow apresentou cinco fatores na Hierarquia das Necessidades Humanas: Fisiológicas, Segurança, Sociais, Auto-Estima e Auto-Realização, os quais eram substituídos logo após as pessoas terem atendido suas necessidades anteriores. Mas, até que ponto verificar o nível motivacional das pessoas (funcionários) de uma empresa poderá colaborar na identificação e na diagnose empresarial? Bem, ao tentar-se diagnosticar uma organização, deve-se considerar todos os fatores que, direta ou indiretamente, compõe sua vida. Se numa análise das necessidades humanas predominarem as fisiológicas e, paralelamente, mensurar-se a faixa etária do grupo (hipoteticamente alta), nos reportaremos, analiticamente, a uma organização cujos funcionários são detentores de nível significativo de angústia, o que catapultará a uma linha de produção/ação não satisfatória.

O quadro IV demonstra os fatores motivacionais pesquisados:

 

 

Quadro IV

 

Motivograma segundo as necessidades humanas (Maslow)

Necessidades

Indireta

Direta

Fisiológicas

02,4%

15,4%

Segurança

04,8%

26,9%

Sociais

16,8%

40,4%

Auto-Estima

50,6%

15,4%

Auto-Realização

25,4%

01,9%

4.4 Levantamento de Atitudes e Opiniões Gerenciais – LAOG

 

Esta matriz tem a recomendação de seu autor para ser aplicada em funcionários que tenham, no mínimo, seis meses na empresa. Sua análise nos remete a três enfoques básicos: problemas de liderança, problemas de valores e problemas de estrutura. Todavia, dissecando com maior profundidade, poderemos desdobrá-la em 15 indicativos sobre as atitudes e opiniões gerenciais que ocorrem na vida organizacional. Seu diagnóstico está direcionado a três variáveis: pontos fortes, pontos sob controle e pontos incontroláveis (situações que já fugiram ao controle da organização). Como referencial analítico, o estudo recomenda, como ideal, que os pontos incontroláveis situem-se com 0,0% de percentagem. Isto é, não devem existir. Não obstante, é difícil, se não impossível, encontrarmos uma organização nessas condições. O quadro V, correspondente ao estudo e situou-se com os seguintes parâmetros:

 

 

Quadro V

 

Levantamento de atitudes e opiniões gerenciais (Paulo C. Costa Moura)

Indireta: 200 EXECUTIVOS - Direta: 100 EXECUTIVOS

INDICATIVOS

 

PONTOS FORTES

PONTOS

INCONTRO-LÁVEIS

PONTOS S/CONTRO-LE

01.COMUNICAÇÃO

 

INDIRET

DIRETA

60,0%

12,5%

27,0%

37,5%

13,0%

50,0%

02.HABILIDADES

EXECUTIVOS

INDIRET

DIRETA

47,0%

25,0%

33,0%

25,0%

20,0%

50,0%

03.FEEDBACK CONSTANTE

INDIRET

DIRETA

54,0%

25,0%

40,0%

50,0%

06,0%

25,0%

04.PRÁTICA DA DELEGAÇÃO

INDIRET

DIRETA

26,5%

12,5%

40,0%

50,0%

33,5%

37,5%

05.AGILIDADE DE DECISÃO

INDIRET

DIRETA

46,5%

25,0%

33,5%

37,5%

20,0%

37,5%

06.PERCEPÇÃO AMBIENTAL

INDIRET

DIRETA

54,0%

25,0%

37,5%

50,0%

13,5%

25,0%

07.PROCESSO AUTODIAGNOSE

INDIRET

DIRETA

46,5%

25,0%

40,0%

25,0%

13,5%

50,0%

08.OBJETIVOS DEFINIDOS

INDIRET

DIRETA

60,0%

37,5%

40,0%

37,5%

00,0%

25,0%

09.OBJETIVOS CONJUNTOS

INDIRET

DIRETA

27,0%

12,5%

39,5%

50,0%

33,5%

37,5%

10.EXAME SITUAÇÃO ATUAL

INDIRET

DIRETA

54,0%

25,0%

33,0%

37,5%

13,0%

37,5%

11.ESTRUTURA FLEXÍVEL

INDIRET

DIRETA

40,0%

25,0%

40,0%

50,0%

20,0%

25,0%

12. PREOCUPAÇÃO C/CUSTOS

INDIRET

DIRETA

66,5%

37,5%

27,0%

37,5%

06,5%

25,0%

13.PLANO DE CARREIRA

INDIRET

DIRETA

60,0%

12,5%

33,5%

37,5%

06,05%

50,0%

14.ORG.INFORMAL ANTAGÔNICA

INDIRET

DIRETA

93,5%

37,5%

00,0%

25,0%

06,5%

37,5%

15.PRÁTICA DE CONTROLES

INDIRET

DIRETA

73,5%

37,5%

20,0%

25,0%

06,5%

37,5%

 

 

5 ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DOS INSTRUMENTOS

 

5.1 Exame da cultura da organização

 

5.1.1 Administração Pública Indireta

 

Quanto à cultura organizacional, predomina o espírito de Equipe com 44,0%. Esse índice é bom. Significa que os funcionários sentem-se relativamente à vontade. Conforme o instituto da qual emergiu a matriz, espírito de equipe significa: “as decisões são tomadas na cúpula da empresa, no entanto, os subordinados são informados claramente do que se deseja deles e a empresa mostra-se receptiva às reivindicações de apoio formuladas por eles. Em geral, os subordinados não têm grandes possibilidades de inovar no trabalho, ou de determinarem eles próprios como os realizarão. No caso de subordinados que executem atividades complexas, bastante técnicas, ou no caso de subordinados de nível sócio-educacional elevado, pode haver freqüentes solicitações de maior autonomia no trabalho. Os subordinados que executam trabalhos mais rotineiros ou mais simples, ou os que possuem baixo nível educacional, provavelmente se sentirão satisfeitos neste tipo de empresa”.

No que tange à Mobilidade e Flexibilidade, levando-se em consideração que trinta pontos (30) é o divisor aceito como padrão, nota-se que 86,5% estão entre 30 e 40 pontos. Muito bom. Significa que as organizações não reagiriam frente a um processo de intervenção planejada e, principalmente, estão com boa mobilidade em relação às influências ambientais externas. Este aspecto de Mobilidade e Flexibilidade é fundamental para que se possam introduzir programas na empresa (custos, TQC, administração financeira, planejamento estratégico etc...). Em predominando um percentual abaixo de 30 pontos, a situação irá requerer outras medidas de cunho comportamental, antes de entrar no subsistema técnico propriamente dito.

Para melhor compreender a Matriz, deve-se considerar que, numa escala de 0 (zero) a 50 (cinqüenta) pontos, o divisor da Mobilidade e Flexibilidade encontra-se em 30 (trinta). No usual, quanto mais próximo dos 50 (cinqüenta) pontos for a média (ou mesmo a mediana) da organização, mais ágil e receptiva a um processo de mudanças ela será. Por outro lado, partindo também do divisor 30 (trinta), quanto mais a média ou mediana distanciar-se em direção a 0 (zero), maiores dificuldades terá a organização em adaptar-se a um processo de intervenção planejada.

 

5.1.2 Administração Pública Direta

 

Quanto à cultura organizacional, predomina a cultura neutra com 50% de indicações. É perigoso. Tangencia até o ponto de ruptura organizacional. Isto, usando-se linguajar administrativo suave. Esta cultura significa, de maneira sintética, como se fosse "uma nau à deriva, sem força nos motores para vencer o alto mar". A fragilidade dessa cultura é tão nefasta que qualquer influência externa poderá definir, direcionar seu caminho. E se a influência for enganosa? Vejamos textualmente a definição da cultura neutra, dentro da concepção do Instituto da qual emanou o exercício. "Neste tipo de Organização, a necessidade de pessoal realmente responsável e identificado com a empresa é ainda muito maior. A empresa poderá estar bem, se contar com pessoal assim, mas certamente estará muito mal, se não contar. Este é, portanto, um tipo crítico de empresa, bastante perigoso. Geralmente, apenas os departamentos altamente especializados funcionam melhor neste tipo de empresa. departamentos administrativos ou de produção, cuja tecnologia e natureza do trabalho são mais simples e rotineiros devarão achar-se confusos sem saber por onde caminhar. a sensação vigente na empresa será, provavelmente, de uma grande distância entre empregados e a alta direção: esta não aparece, não há diretrizes a não ser ocasionalmente. pessoal pouco maduro ou pouco conhecedor da empresa, provavelmente esperando que se lhes diga o que fazer, perdendo tempo e fazendo tentativas pouco produtivas de levar seu trabalho adiante. o moral do pessoal, nestes casos, é em geral baixo."

No que se refere à Mobilidade e à Flexibilidade (M&F), encontramos 75% indicativos entre 30 pontos e abaixo. Vale relembrar que o ponto tangencial está situado nos 30 pontos. É uma situação draconiana. Como reflexo direto, temos uma organização que não possui resposta imediata às solicitações do ambiente externo. Isto é, não detém agilidade suficiente para adequar-se e responder às influências externas do ambiente, no qual ela, organização pública de administração direta, gravita. Não bastasse essa morbidez, o grupo é reagente a qualquer processo de mudanças que a organização deseja implantar. Todavia, não significa que a organização não tenha condições de recuperação. Em tipologias como essa, a recomendação que se faz não é de intervir diretamente no subsistema técnico. Antes, a intervenção deverá ocorrer no subsistema social (comportamental), com técnicas adequadas. Entre elas: Formação de Espírito de Equipe, Espelho Organizacional, Análise de Campo de Força, Análise Transacional (se for o caso) e/ou outras intervenções.

 

5.2 Estilo de Liderança

 

5.2.1 Administração Pública Indireta

 

Aqui reside um aspecto que se torna alarmante em qualquer diagnose que se faça na administração pública. No caso, a administração indireta não foge à regra, pois predominam lideranças centradas em Tarefas com 37,5% de indicativos. Isto requer melhor desenvolvimento pessoal das chefias, através de cursos, de seminários ou de técnicas como a Formação de Equipe.

 

5.2.2 Administração Pública Direta

 

Com 70% de líderes centrados em Tarefas, contra 23% em Pessoas e apenas 7% em Tarefas e Pessoas, simultaneamente, esta matriz reflete e confirma as diagnoses elaboradas até aqui. A estrutura lógica de raciocínio nos direciona a uma organização que não se preocupou com o subsistema social. Sintetizando, já que a cultura é neutra e a M&F é precária, os exercícios sobre liderança apenas confirmam o indicativo da primeira matriz aplicada.

Sob o enfoque científico, detecta-se que os procedimentos praticados retornam a Taylor, ou seja, esta prática teria sentido no início do século. Hoje, faltando apenas 15 anos para findar o século XX, os referenciais indicados por Taylor, por si sós, não têm mais sentido. Isoladamente, estão ultrapassados. Modernamente, necessitam de procedimentos simbióticos e sinérgicos com outras Teorias da Administração.

 

5.3 Motivograma

 

5.3.1 Administração Pública Indireta

 

O exercício indicou 50,6% dos executivos pontuando nas necessidades de auto-estima. Significa que já preencheram as fases fisiológicas, de segurança e sociais. É, de forma salutar, bastante significativo. Demonstra, entre outros, bons salários, boas oportunidades de crescimento pessoal, processo interativo com chefias, pares e subordinados em bom nível de freqüência.

 

5.3.2 Administração Pública Direta

 

No processo da Hierarquia das Necessidades Humanas de Maslow, as empresas públicas de administração direta pautaram em 1º lugar, com 40,4%, nas necessidades sociais. Logo a seguir, com 26,9%, as de segurança. Tais indicadores são representativos da busca de um processo interativo de seus funcionários e chefias, e entre as próprias chefias. Mais ainda, demonstra, sobejamente, uma carência de segurança funcional. Ora, uma organização que não atende às necessidades de segurança de seus auxiliares e somando-se a isso os indicadores de cultura, M&F e Liderança, fatalmente, será direcionada a um processo de fragmentação orgânica e operativa.

 

5.4 Levantamento de atitudes e opiniões gerenciais

 

5.4.1 Administração Pública Indireta

 

Um dos pontos preocupantes das organizações públicas indiretas está na prática da delegação (33,5%) e nos objetivos compartilhados (33,5%). Estrutura flexível, agilidade do processo decisório e habilidades dos executivos encontram-se todos com 20% de indicativos. Ocorre que estas pontuações percentuais nos remetem a pontos considerados incontroláveis. Todavia, dada à cultura organizacional predominante (Espírito de Equipe) e considerada a M&F satisfatória, temos convicção de que os problemas localizados no estudo da matriz em apreço poderão, a médio prazo, ser solucionados. Para tanto, algumas medidas corretivas deverão ser postas em prática e de maneira emergencial. Como já é de hábito, as lideranças participarem aos subordinados as decisões tomadas. Seria salutar que algumas decisões (objetivos) setoriais tivessem a participação das chefias intermediárias. Da mesma forma, no que concerne à prática da delegação. A cúpula de qualquer organização deve ter em mente que não delegar gera constrangimento aos subalternos e insegurança, além de ser fator desmotivador.

Quanto à estrutura não ser flexível, cabe redefinir as competências funcionais. Não obstante, no caso das organizações indiretas passivas da pesquisa, tudo nos direciona mais para atitudes gerenciais e não para a parte operacional propriamente dita.

Tentando fugir do academicismo, vale lembrar que uma das características marcantes do desenho departamental (organograma) é justamente enfatizar três ações básicas para qualquer empresa: facilitar a tomada de decisão, potencializar o crescimento da organização e possibilitar melhor comunicação interna. Por si só, o organograma, quando realmente aplicado, proporciona uma dinâmica operacional/funcional de bom nível.

 

5.4.2 Administração Pública Direta

 

Ao contrário das indiretas, a diagnose, nesta matriz, apenas confirma o já detectado em análises já mencionadas, ou seja, estão no ponto denominado de ruptura. Colocando de forma mais enfática, estão à beira do colapso. Detectou-se que quatro indicativos, comunicação, habilidades do executivo, processo de autodiagnose e falta de plano de carreira, atingiram 50% de manifestações. Logo a seguir aparece a falta de delegação, a lentidão do processo decisório, os objetivos não compartilhados com chefias intermediárias, a falta de exame da situação atual em relação ao ambiente externo e interno, as práticas de controles inadequados ou inexistentes e, finalmente, a presença da organização informal com forte manifestação antagônica à organização formal. Todas elas, com 37,5% de manifestações. Grave, realmente muito grave, a situação diagnosticada.

Um diagnóstico desta natureza merece, urgentemente, ações drásticas. Algumas traumáticas. Os Conselhos devem, numa situação similar, intervir. Não significa necessariamente que Diretores devam ser afastados. Cabe aqui que Diretores tentem partilhar seus objetivos e manter uma dinâmica de comunicação mais atuante.

 

 

6 CONCLUSÕES

 

Cientificamente, o inquérito desenvolvido em organizações públicas de administração indireta e direta pouco apresenta como referencial conclusivo. Não tratou-se de um laboratório, o que ocorreu foi uma pesquisa de campo que procurou, através da diagnose, verificar a possibilidade de êxito da implantação de Planejamento Estratégico. Em que pese essa pesquisa apresentar alguns pontos cruciais da gestão pública, não pode e nem deve servir de paradigma. Seria não apenas pretensioso, como pueril e inconseqüente. Tais assertivas devem-se não ao instrumental e metodologia utilizados, mas fundamenta-se na representatividade da amostra que foi ínfima. Porém, e sempre há um porém, nos direciona a algumas reflexões, entre elas, e considera-se a mais significativa, a indagação e o desconforto de encontrarmos nesta pequena amostra as diagnoses levantadas. Cabe a pergunta: E como estarão as demais? Apenas esta dúvida é o suficiente para que prossigamos no trabalho invasivo de uma pesquisa cuja amostra represente, de forma laboratorial, o perfil de gestão praticada. Felizmente, na vida empresarial o ponto de ruptura nem sempre é sinônimo de falência. Em paralelo, uma pesquisa envolvendo o quadro de funcionários permanentes seria ideal, se assim entenderem de buscar sua diagnose e posterior orientação.

 

Finalizando, não acreditamos na possibilidade de implantar-se Planejamento Estratégico nas Organizações Públicas Diretas. Prioriza-se, nesse caso, a aplicação de Desenvolvimento Organizacional. Nas Organizações Públicas de Administração Indireta poder-se-á, simultaneamente, trabalhar com DO e Planejamento Estratégico.

 


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