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| 1) APRESENTAÇÃO O presente preâmbulo dessa concepção direciona-se às organizações de uma maneira em geral, independente de sua tipologia de produção, quer seja indústria, comércio ou mesmo serviços. Porém, pretende ser caudatário para a vinculação do Desenvolvimento e Diagnose Organizacional e Geral e da Cultura Organizacional em particular como instrumentos precedentes à elaboração e implantação do Planejamento Estratégico, cuja abordagem será tema da Segunda parte dessa tese de doutorado. Mas, em que pese o Desenvolvimento Organizacional, doravante simplesmente denominado de D.O., ser de utilidade inquestionável junto às diversas organizações, não devemos desconsiderar sua aplicabilidade perante as organizações públicas, foco de nosso trabalho. Em artigos e mesmo conferências, tivemos a oportunidade de manifestar que quem decide afeta vidas. Em paralelo, o D.O., antes de qualquer análise que se queira imprimir significa mudança e esta mudança ambiental pode e deve ser entendida como transformações que ocorrem na sociedade como um todo, envolvendo valores, aspirações, tecnologias, produtos, relações e necessidades econômicas e sociais. Vejamos, se quem decide afeta vidas, um processo de mudança, ainda que planejado, também afetaria. Ora, o binômio econômico-social aplica-se a qualquer organização, inclusive às públicas. Temos salientado que somente teremos condições de mantermos o social se o econômico possibilitar sua manutenção, O D.O., como uma das modelagens desenvolvidas pelo administrador, serve tanto as organizações singulares como aquelas regidas pelo sistema público. Mais ainda, numa visão de Robert Watermann Jr (1982), ao tratar sobre o fator renovação, as organizações, entre elas as da administração direta , que pretenderem renova-se deverão perceber e utilizar as oportunidades, as informações e a intuição. No caso das públicas, os cuidados deverão impor-se com maior rigor. Ou seja, os sistemas de controller exigirão preocupações diferenciadas das demais organizações. Justifica-se. Na Empresa pública , sua diretoria não poderá geri-la tão somente vislumbrando os fornecedores, a sociedade e os empregados. No sistema público, um outro elemento internaliza-se na gestão. Isto é, além dos integrantes citados, merecem uma consideração diferenciada os cidadãos que pagam seus impostos, os quais, em qualquer análise que se queira fazer, são a razão de ser do sistema. Porém, até que ponto o D.O. deve ser encarado como necessário à gestão pública ? Que particularidade da modelagem poderão ajudar a sua otimização gerencial? Vejamos. D.O., em síntese, trata de mudança. Toda e qualquer mudança organizacional deve ser planejada. Isso implica alterações comportamentais da organização. Todavia, essas alterações não poderão estar ao sabor do momento, do caso, ou, para ser severamente pragmático, não poderão apenas centrar-se em experiências passadas. Necessários se faz que essas alterações (mudanças) estejam alicerçadas numa tríade dentro da visão de Bennis (1969): a) problemas de destino: crescimento,
identidade e revitalização; Por essas razões, entre outras expostas neste preâmbulo, é que entendemos que o Desenvolvimento Organizacional é, além de um instrumento essencial para as organizações públicas, a primeira modelagem que deveria ser aplicada numa administração direta ou indireta. Serviria não apenas como modelagem em si, mas como ponto de partida para qualquer procedimento que se quisesse imprimir. Inclusive o próprio Planejamento Estratégico. 1.1) PROLEGÔMENOS Percebe-se a estreita ligação entre o conceito de mudança ambiental e a proposta de mudança organizacional contida na essência de D.O. Para se entender o processo de mudança organizacional, dever-se-á recorrer à compreensão do fenômeno e processo de mudança ambiental. A mudança ambiental é aqui entendida como as transformações que ocorrem na sociedade como um todo, envolvendo valores, aspirações, tecnologias, produtos, relações e necessidades econômicas e sociais. Analisando o texto dos autores que tratam da temática mudança ambiental, todos concordam que estamos situados "dentro de um contexto histórico de transição". Os períodos de transição são marcados por crises e são caracterizados pela velocidades mudanças e ambigüidade que elas trazem em seu bojo. Os últimos 40 anos apresentam sintomas da era de transição em que ora vivemos, sendo que as mudanças que ocorrem na atualidade são distintas daquelas que ocorreram no passado. Como aponta John Mchale(1975)* no livro "World Facts and Trends", as ondas atuais de mudanças diferem daquelas do passado recente, tanto em termos quantitativos como nos aspectos qualitativos e no grau de suas inter-relações. Se, no passado, os fatores de mudanças eram relativamente distintos em seus contextos específicos e limitados, as mudanças do presente assumem caráter global em suas dimensões quantitativas e espaciais. O processo de mudança já não pode ser tratado como uma seqüência de eventos isolados, separados no tempo, no número de pessoas afetadas e no que diz respeito aos processos físicos e sociais que são perturbados. As mudanças ambientais afetam as organizações, inclusive as públicas, na medida em que surge a necessidade de desenvolver estratégias administrativas adequadas ás condições de mutação. Isso permite tornar as organizações "proativas" (influindo o ambiente) ao invés de reativas. Surge, daí, a necessidade do Desenvolvimento Organizacional: a mudança. Os conceitos e definições de D.O. o caracterizam como processo global de mudança planejada, tendo como direcionamento a eficácia e eficiência das organizações dentro do contexto de transformações ambientais. Considera, prioritariamente, o elemento humano nas organizações, isto é, a harmonização entre necessidades humanas e objetivos da organização. De modo geral, a meta de D.O. é liberar o potencial humano no interior das organizações, e, concomitantemente, torná-las auto-renovadoras. Embora o D.O. valorize sobremaneira os aspectos individuais e procure, ao máximo, fazer com que o indivíduo tenha na organização um ambiente de desenvolvimento e crescimento próprio, não deixa, de estar comprometido com valores de eficácia, eficiência e efetividade. Foram selecionados, dos textos do CIPAD - Curso Intensivo de Pós Graduação em Administração Pública da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas - EBAP/FGV (1978), alguns conceitos e definições de D.O. que permitem responder, sucintamente, à pergunta "o que é o D.O.". Paulo C. da Costa Moura (1975) define D.O. como "um processo global de mudança planejada que visa desenvolver uma organização, tornando-a mais eficaz eficiente e eficaz, mais adaptável às mudanças relevantes (principalmente sociais e tecnológicas) e integrando o atendimento às necessidades humanas, com as metas e objetivos organizacionais". Fernando Achiles (1976) define D.O. como "um processo de mudanças planejadas em sistemas sócio-técnico abertos visando aumentar a eficácia e a saúde da organização para assegurar o desenvolvimento mútuo da empresa e de seus empregados" . Reportando-se ao Tavistock Institute De acordo com Eurico Carvalho da Cunha, "D.O. é uma abordagem que visa dar às organizações a capacidade de mudança planejada, tendo em vista a complexidade e o ritmo das transformações ambientais". É um esforço global que atinge direta ou indiretamente toda a organização através do desenvolvimento de seus recursos humanos, capacitando-os por meio da redefinição de sua atitudes, valores e práticas gerenciais a atuar como equipe na definição e avaliação de objetivos organizacionais". Para Richard Beckhard (1969), "D.O. é um esforço planejado que abrange toda a organização e administração do alto para aumentar a eficiência e a saúde da organização através de intervenções planejadas nos procedimentos da organização e visando aos conhecimentos fornecidos pelas ciências do comportamento". Para Warren G. Bennis (1969), D.O. é uma estratégia educacional adotada para se chegar a uma mudança organizacional planejada". De acordo com Warner , Burke e Hornstein (1971), D.O. "é um processo de mudança planejada - mudança de uma cultura organizacional que evita um exame de processos sociais (principalmente tomada de decisão, planejamento e comunicação), para uma que institucionalize e legalize este exame,de uma que resiste a mudança para uma que promova o planejamento e uso de procedimentos para adaptação e mudança necessárias em base diária." Nota-se a semelhança de bases conceituais com que os diferentes autores definem D.O.: - Primeiramente, D.O. é considerado um processo. Processo pode ser, aqui, entendido como "uma sucessão ou seqüência de estados de um sistema em transformação". D.O. como processo, tem a caracterizá-lo a contínuo e institucionaliza-se à medida que a própria organização transforma-se num sistema de aprendizagem auto-sustentado. Outro aspecto do processo de D.O. é sua condição de "programa de aplicação das ciências do comportamento às organizações". - A mudança planejada proposta em D.O. está ligada à exigência ou necessidade sentida pela organização e refere-se a um problema que a organização enfrenta. Warren G. Bennis (1969) especifica as necessidades da organização, agrupando-se em 3 categoria
- A mudança planejada propõe aumentar a eficácia e eficiência das organizações. Alguns autores mencionam também "saúde organizacional". Embora não exista padrões pré-estabelecidos que caracterizam uma organização como "ideal", Richard Beckhard (1967) aponta algumas definições do que seja uma organização saudável. O mesmo autor, em seu livro "Desenvolvimento Organizacional: estratégias e modelo", cita as definições de Jonh Gardner (1966)*, Edgar Schein (1965) e Miles (1959) quanto a uma organização eficiente e saudável. - Estratégia Educacional. Como estratégia educacional para se chegar à mudança planejada, os esforços de D.O. baseia-se em alguma forma de atividade de aprendizado baseando na experiência. Dá ênfase, portanto, ao comportamento que já foi uma experiência anterior. De acordo com Frank Sherwood (1971), "a aprendizagem é a base de qualquer processo de mudança". Começa pela "consciência da inadequação" que passa a exigir novas competências e abordagens". O professor Bianor Cavalcanti, da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, esclarece que o conceito de "learning-system" (sistema de aprendizagem) é básico para a essência de D.O.." 1.2)
OBJETIVO, VALORES E PRESSUPOSTO DE D.O.
Numa proposta de mudança planejada, uma etapa importante, tanto para o cliente como para o consultor, é a "apresentação" de D.O., visando explicar os seus objetivos e confrontá-los com os da organização. Para Paulo C. da Costa Moura, é indispensável dar ênfase aos valores assumidos e os riscos que podem surgir durante o processo. Existem valores intrínsecos ao processo de D.O. que determinam a sua aplicabilidade e sem os quais D.O. não se operacionaliza devido aos conflitos que poderiam surgir em função da não explicitação e aceitação desses valores. São inerentes ao processo de D.O. valores tais como: estilo participativo, comunicação fidedigna, delegação de autoridades, empatia, reconhecimento da existência de conflitos e outros. D.O. assume uma perspectiva integradora à medida que busca a redistribuição do poder nas organizações através de processos mais participativos, mas não prega, como alguns assim o entendem, a equalização do poder. É importante destacar que D.O. surgiu como a opção mais atual e promissora de uma nova valorização dos recursos humanos nas organizações. Incluindo-se aí as públicas, cuja cultura organizacional predominante é a Diretiva- dentro de uma concepção de Trist - (1963) e, cuja análise empirica, razão de ser dessa tese, encontra-se em anexo. O crescimento mútuo da empresa e de seus empregados é, por excelência, o tônus teleológico de D.O.. Sua justificativa prende-se a critérios funcionais e morais. Quanto aos critérios funcionais, é difícil alcançar o crescimento, relevância e eficácia organizacional independente do crescimento e desenvolvimento de seus membros. O clima organizacional pode oferecer condições facilitadoras para esse desenvolvimento das pessoas, seja no nível individual ou grupal. Em relação aos critérios morais, a organização pode ser considerada como um instrumento necessário à realização do homem; pelo menos lhe assegura a sobrevivência social e material. French
e Bell (1959)* estabelecem pressupostos e valores para as pessoas como
indivíduos e como membros de grupos componentes de um sistema organizacional. Além disso, as pessoas são capazes de incrementar substancialmente sua eficácia e de ajudar seus grupos de referência na solução de problemas. - Para que um grupo otimize sua eficácia, o líder formal não pode desempenhar todas as funções de liderança e manutenção, em todas as circunstâncias e em qualquer tempo. Daí a necessidade de os demais membros ajudarem-se mutuamente com liderança e comportamento efetivos. - A repressão dos sentimentos afeta adversamente os processos de solução de problemas, de desenvolvimento pessoal e de obtenção de satisfação pessoal através do trabalho. - O nível de confiança, apoio e cooperação interpessoal é muito menor na maioria dos grupos e organizações do que necessário ou desejável a despeito dos esforços desenvolvidos para que tais qualidades sejam alcançadas. - A solução para a maioria dos problemas atitudinais e
motivacionais em organizações é de natureza transacional. - A dinâmica de inter-relacionamento dos 2 grupos de que um executivo faz parte e seu comportamento naqueles 2 grupos de trabalho são fatores altamente significativo no processo organizacional. - As políticas e práticas da organização afetam o pequeno grupo de trabalho e por ele são afetadas. - As estratégias de conflito interpessoal e intergrupal em que um acaba como vencedor e outro como perdedor, embora possam ser realistas e adequadas em certas situações não são boas, a longo prazo, para a solução da maior parte dos problemas organizacionais. - A melhoria do desempenho decorrente de esforços de D.O. necessita, para sua sustentação, de mudança apropriadas nos subsistemas de avaliação, recompensa, treinamento, preenchimento de cargos, tarefas e comunicações, isto é, no sistema de recursos humanos com um todo. - Os membros de um sistema devem, em geral, atribuir valor ao esforço cooperativo e aos produtos finais do sistema, ou, de outra forma, devem existir alguns valores em comum, entre os protagonistas, para que as técnicas de redução de conflitos e solução de problemas sejam de alguma utilidade. - Deve ser atribuído valor ao bem-estar de todos os membros do sistema, particularmente por aqueles que dispõem de maior poder sobre os outros. - Um pressuposto básico com relação às organizações é "que a maior parte delas pode ser, provavelmente, mais eficaz do que é, caso seja capaz de identificar os processos que necessitam de melhoramentos" (comunicação, funções e papéis dos membros dos grupos, solução de problemas e tomada de decisão, normas e desenvolvimento de grupos, liderança e autoridade, cooperação e competição de grupos, etc.).. French e Bell (1959)
apresentam as características subjacentes ao D.O.,
em relação aos dados e informações ligadas ao seu processo e também
quanto
à forma com que são tratadas.
O Professor Robert T. Golembiewski (1968) cita os objetivos
principais de um programa típico de D.O.: Em seu artigo "Desenvolvimento Organizacional Intercultural: aplicação na América Latina", o professor Rogério F. Pinto (1978) desenvolve estudos, mostrando as dificuldades de transposição de tecnologia de D.O. às sociedades tradicionais/transicionais. Confronta certos pressupostos inerentes a D.O. no contexto social específico de onde, inicialmente, surgiu e foi aplicado, com as transposições para um contexto social diverso: as sociedades latino-americanas. O seu estudo baseia-se na pesquisa comparativa e nas observações destas sociedades tradicionais da América Latina. As dimensões confrontadas são: - normas e valores subjacentes a D.O.; - indivíduos no trabalho; - processos de grupo; - ambiente organizacional. Primeiramente, o autor menciona uma série de valores inerentes a D.O. e estabelecem "como" esses valores são percebidos e sentidos na sociedades latino-americanas. Ele cita a adoção de liberdade de escolha, a promoção da democracia participativa e, consequentemente, a preservação da dignação humana no trabalho, o reconhecimento geral do valor e do potencial humanos. Na América Latina, por outro lado, observa-se a emergência de fortes regimes políticos com a prevalência do autoritarismo acentuado pela tradição de concentração de poder; enquanto D.O. prega a participação democrática e a difusão do poder. A resistência à mudança e à inovação, o respeito e aderência aos valores tradicionais caracterizam a vida organizacional das sociedades tradicionais como as da América Latina. Outro objeto a considerar ,e que aplica-se como evento inconteste e característico à postura social (âmbito organizacional) latino americana, diferenciada da postura anglo-saxônica; nestas predominando o uso da razão, naquelas a presença marcante da emoção, dentro de uma concepção de Harold Koontz (1964). A estratégia educacional, aliada à experimentação comportamental preconizada em D.O., encontra resistência nas sociedades tradicionais pelo menos em relação às intervenções comportamentais. Os esforços educacionais, nestas sociedades, são vistos mais como esforços individual e focalizados no conteúdo. Além disso, a educação nas sociedades latinas é vista, essencialmente, como um processo intelectual, enquanto o treinamento em D.O., que requer outro tipo de engajamento dos participantes, tem sido considerado ofensivo e ridículo. Os profissionais de D.O. valorizam alguns aspectos que são pré-requisitos para a iniciação de D.O. como aptidão para a sinceridade, a confiança e a exteriorização racional de sentimentos. Os padrões educacionais das sociedades anglo-saxônicas enfatizam as virtudes de sinceridade e franqueza, as quais se encontram potencialmente presentes no comportamento dos indivíduos que pertencem àquelas sociedades. Existe um consenso de que os latino-americanos, embora calorosos, são mais propensos à reserva de sentimentos, que somente são externados em explosões emocionais, em contraposição à verbalização racional. O criticismo construtivo direto é raro, enquanto o apoio aberto expresso emocionalmente é muito comum nas relações interpessoais dos latino-americanos. As sociedades tradicionais/transicionais, especialmente da América Latina, mostra menor aptidão e valorização quanto à franqueza, confiança e expressão racional de sentimento. Outro pré-requisito fundamental para D.O. é a habilidade organizacional para a transigência e para a administração de conflitos. A sociedade norte-americana já incorporou na sua cultura a habilidade para negociar em situação de conflito e desenvolver o acordo. Nas sociedades tradicionais, especialmente as da América Latina, a administração de conflitos, na busca do acordo, é prejudicada pela propensão à postura absolutista ( fenômeno tipico de cultura organizacional diretiva) de e pela tendência à confrontação emocional (Koontz-1964). O status, em um ambiente organizacional propenso a D.O., é geralmente adquirido e reconhecido através da competência e da capacidade de realizar. Nas sociedades tradicionais/transicionais, a tendência é adquirir e reconhecer o status mais por sagração, como privilégio inerente a um desempenho de papel, aceito pela tradição. Há um contraste marcante entre a flexibilidade cultural, normas e valores dinâmicos das sociedades modernas e a rigidez cultural das sociedades tradicionais, presas a seus valores e normas próprias. A rigidez cultural coloca um real obstáculo à aplicação efetiva de D.O.. O autor desenvolve raciocínio semelhante quanto às outras três variáveis por ele mencionadas e, finalmente, lembra a importância e necessidade de se avaliar as tecnologias de D.O. e sua adaptabilidade às condições culturais locais. 1.3)
INTERVENÇÕES DE D.O. Segundo
Roberto Boetger (1978), esta fase deve ser conduzida com cautela, e recomenda
uma aproximação controlada e gradual através de diagnóstico sucessivo
antes de envolver toda a organização na obtenção dos dados. 1.4)
ESTRATÉGIAS E ABORDAGENS ALTERNATIVAS DO PROBLEMA DE MUDANÇA ORGANIZACIONAL
PLANEJADA
Fela Moscovici comenta, em seu artigo "O consultor de desenvolvimento organizacional", que um dos aspectos críticos na prática de D.O. é a falta de uma teoria integrada de mudança organizacional. Afirma também que os conhecimentos ainda não se encontram sistematizados em um campo definido para utilização imediata e nem mesmo o próprio campo está perfeitamente delimitado. Sabe-se muito pouco, cientificamente,
sobre os processos e mecanismos de mudanças. Segundo Roberto Boetger (1978),
D.O. é uma metodologia muito complexa, requer muito tempo para atingir
toda a organização ( mormente a pública) e nem sempre tem sido um sucesso.
O mesmo autor afirma que é nessa fase que se encontram as maiores contradições
da experiência brasileira, seja pela adoção de alternativas incompatíveis
com estágio de crescimento das organizações. Para o autor, um dos maiores
dilemas de D.O. um linha de ação única e sim um número variável de opções
a serem adotadas segundo a característica do problema em foco. "Ao se identificar a necessidade de melhorar a área sócio ou comportamental, não será mais adequado rever políticas e estratégias de recursos humanos, tais como políticas de carreira, de desempenho, de remuneração ou de comunicações, que afetam o clima organizacional em que as pessoas irão ou não se desenvolver". O
autor defende uma abordagem estrutural, em que mudanças técnicas (estrutura,
política) são mais econômicas e rápidas do que mudanças em indivíduos
ou grupos.
- abordagens específicas com ênfase predominante social
e técnica; O
autor analisa cada uma dessas abordagens e menciona outra abordagem que
ele denomina de sóciotécnica global. Essa abordagem apóia-se em três campos
onde D.O. deve estar fundamentado: a teoria de sistemas, o planejamento
empresarial/administração por objetivos e o desenvolvimento de recursos
humanos. Este enfoque, segundo o autor, procura estabelecer um nível de
estreita correlação entre a definição de objetivos e a interação mais
adequada de pessoas e de grupos. Nesse sentido, o reexame de valores e
práticas gerenciais a ser efetuado segundo esta concepção deve ser acompanhado
de uma análise ampla das variáveis organizacionais, de modo que ocorra
simultaneamente nas mudanças sobre os planos individual e organizacional.
Os instrumentos e metodologia utilizados nesta abordagem variam de acordo
com os propósitos gerais da organização, seu estágio evolutivo, etc. A
característica básica desta abordagem é a busca de equilíbrio entre conteúdo
e processo. Classifica
como abordagem estruturada o modelo que pode ser aplicado a qualquer
tipo
de organização e que implica seguir determinados passos pré-estabelecidos.
A não-estruturada é aquela cujo o desenvolvimento dependerá da situação
específica de cada empresa. O autor analisa os pontos positivos e negativos
de cada abordagem e enfatiza a ação do diagnóstico como ponto de referência
para a implementação da estratégia. Os autores consultados colocam algumas limitações à prática de D.O. na realidade brasileira. Uns apontam os valores, objetivos e pressupostos inerentes a D.O. como impeditivos à sua aplicabilidade nas sociedades tradicionais como a nossa. Outros já defendem a idéia de que as premissas básicas de D.O. possibilitam uma ampla adaptação de valores e de metodologias com contexto brasileiro.
Como fecho á reflexão sobre D O devem-se considerar
as palavras do Prof. Bianor S Cavalcanti referentes a D O e sua aplicabilidade
no setor público: Entendemos, após a reflexão das varias correntes de pensamento que o DO em geral e a Diagnose Organizacional em particular são modelagens que devem se aplicadas préviamente ao Planejamento Estratégico. |