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Um dos conceitos que mais tem proporcionado discussões , quer no forum acadêmico, no empresarial, como na coletividade em geral, tem gravitado em torno da palavra Globalização. Que estará ocorrendo na economia mundial que justifique ser essa modelagem econômica capaz de comportar e suportar correntes de pensamento tão contraditórias? Tão antagônicas? E, por que não , conduzir alguns grupos simplesmente ao radicalismo conceitual? ossa
política econômica. Após ter lido, estudado e debatido com aproximadamente 30 colegas da ULBRA e da FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS , elaborado questionários , promovido discussões, às vezes acaloradas, com 1251 executivos (alunos dos MBA da Fundação Getúlio Vargas) do ABC paulista, de São José dos Campos, Guarulhos, Florianópolis, Recife, Uberlândia, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Macapá, Vitória, João Pessoa, Catalão, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, concluí, num primeiro momento, que a Globalização é cíclica, sendo detentora apenas de novas rotulagens, chegando às vezes a se constituir numa verdadeira e divinal parafernália conceitual. Não se trata pura e simplesmente de um bloco monolitico. Ao contrário , suas interpretações conduzem-me a minha infância distante, saudável, alegre e feliz , quando brincava com meu caleidoscópio. É isto! Conceitualmente, Globalização é um mosaico de correntes variadas de interpretações com os mais diversos matizes. Tenho convicção de que essa colocação será passiva de interpretações várias pelos senhores. Alguns surpresos! Outros introjetarão um processo reflexivo e alguns , espero que em menor proporção, poderão tangenciar a inquietude e , oxalá, não ocorra um ar de indignação. Todavia, vale ressaltar alguns pontos históricos e, partindo desses paradigmas, elaborarmos uma compreensão para o que presenciamos no ocaso do século XX e estamos vivenciando no limiar do século XXI. Para tanto, precisaremos nos valer da História, da Geografia, da Geopolítica, da Sociologia, da Administração e , fundamentalmente, da Economia. Basta citarmos essas ciências para verificarmos o ecletismo no qual se encerra o conceito Globalização. Poderá não ser a interpretação mais adequada. Não obstante, tenho convicção, os reportará-os, naturalmente, ao menos, a um processo de reflexão e , possívelmente, ajudá-los na construção do conhecimento. Para os pensadores elencados abaixo o processo de Globalização tem seu início em momentos históricos diferenciados. Vejamos Marx : teria se iniciado no século XV Wallerstein : a partir do século XVI Robertson : entre 1870 a 1920 Giddens
: no século XVIII O FEUDALISMO "Á
época medieval traz mudanças na sociedade. Ocorre o declínio
do Império Romano, a ascenção da Igreja Católica,
que passa a intervir na política e na economia. É instaurado
o feudalismo, forma de governo baseada nos feudos, unidades de terra governadas
pelo senhor feudal.....A filosofia medieval está ligada a Igreja
Católica. Os escolásticos tentam conciliar a fé cristão
com a razão" Tentássemos retornar e vivenciar o passado, tal qual J.J. Benitez em seu Cavalo de Tróia, ainda que requeira um esforço sobre humano no sentido de nos adequar ao cenário medieval, poderíamos ficar surpreso com alguns aldeões ao verificarem que, embora livres, deviam (ou deveriam??) prestar contas ao senhor feudal. Possivelmente se perguntariam: - Mas que liberdade é essa? - Evidente que o feudo dá-me segurança contra os invasores. - Mas e o meu direito de caçar? De ir e vir? - Por que das indulgências para chegar ao céu? - O Senhor Criador tem que ser tão severo? A vinculação filosófica do feudalismo e da Igreja Católica pouco ou quase nada significaria para a maioria dos aldeões. Porém, e sempre há um porém, esse processo simbiótico fez gerar a economia da época. Surge aqui, no período feudal, uma interação fortíssima entre filosofia (uso da razão) e fé cristão (por vezes dogmática) cujo resultado teve repercussões no feudalismo, isto é, o modelo econômico medieval. Pergunto, num rasgo maiêutico, seria o ideal para a época? Dentro de uma concepção quiça imaginária, embora Leo Hubermann nos traga uma gama inesgotável de exemplos factíveis para aquele momento histórico, é possível que a noite ao redor das fogueiras os aldeões discutissem, trocassem idéias, convergissem ou até divergissem se aquela situação estaria correta. Estaria adequada. Em
síntese, no feudalismo não existia uma padronização
conceitual assimilada por todos e aqui volto novamente a reportar-me a
Hubermann, mais ainda a Toynbee, Durant, Hermida e aos meus professores
de História no antigos cursos ginasial e cientifico do Colégio
Gonzada de Pelotas: Silvino Joaquim Lopes Neto, Francisco Petrucci e Irmão
Adriano. Volto
a questionar: o feudalismo e a Hansa não teriam sido impactantes
para a Idade Medieval tal qual hoje é a Globalização? O MERCANTILISMO "Mercantilismo. Filosofia econômica dos comerciantes e dos estadistas que vigorou durante os séculos XVI e XVII. Baseava-se na Revolução Comercial desse período: a transição de economias locais para economias nacionais, do feudalismo para o capitalismo mercantil, do comércio exterior rudimentar para o comércio internacional intensivo....... encorajou o desenvolvimento de uma economia baseada em dinheiro e em preços.......enfraquecimento da autoridade eclesiástica e da lei canônica aceleraram o crescimento da empresa privada e a emergência do capitalismo mercantil como a força dominadora da economia........A doutrina mercantilista tinha o seu centro no poder do Estado e o seu objetivo era fortalecê-lo" Seldon & Pennance (1977:294)
Surge com o Mercantilismo uma transferência do Poder Feudal para
o Poder puro e simples do Estado através do absolutismo e da interferência
na economia. Nota-se, agora, uma influência política dos
pensadores da época simultâneamente com a ruptura , enfraquecimento,
debilidade da Igreja Católica. Uma observação que
deve ser considerada era que os mercantilistas tinham como convergência
esférica o Poder do Estado. Cabe aqui mencionar Shiguenoli Miyamoto (1995:13) ao manifestar que " Para Deutsch, Morgentahu e Cline, da mesma forma que para Maquiavel e Hobbes, o conceito de poder é a base nas relações entre os Estados para determinar sua capacidade de influência na comunidade internacional. O Poder é então entendido como a capacidade de prevalecer em um conflito e de vencer obstáculos". Considerando a exposição de Seldon e Pennance , mais as colocações de Miyamoto, podemos elaborar qual impacto causou nas populações essa mudança que, embora gradativa, culminou com a decadência dos senhores feudais, com o declínio da Igreja Católica e com a cristalização do conceito de Poder. Na Idade Média , a Hansa, ou Liga Hanseática, era uma associação que gozava de privilégios que lhe davam poderosos meios de atuação, constituindo-se esses privilégios essencialmente nas franquias comerciais que se irradiavam para a Inglaterra e para a Rússia. As cidades hanseáticas foram, aos poucos, obtendo o monopólio do tráfico setentrional, chegando à anexação econômica da Escandinávia. Constituído em confederação política e comercial, cuja origem, segundo alguns data de 1241 -quando ocorreu a aliança entre Hamburgo e Lubeck-, a Hansa contava, no fim do século XV, com sessenta e quatro cidades e possuía frotas, exércitos , governo e tesouro próprios. O
Poder emanado do Mercatilismo e seu conseqüente embasamento filosófico
não estaria simétricamente adequado a Globalização
de hoje? Naquela época era o Estado; hoje, os conglomerados. Mas
como se encaixaria nesse meandro a Liga Hanseática? Não
seria um complexo o qual hoje denominamos de Blocos econômicos?
Vejamos. "Blocos Econômicos são associações de países, em geral da mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado" (http://www.orbita.starmedia.com./~nemba10/global.htm). Pode-se afirmar com convicção que a globalização de hoje foi o mercantilismo do passado, sendo a Liga Hanseática um de seus exemplos. Configurando mais ainda as características do Mercantilismo com a Globalização atual e os motivos que levaram-no a ceder seu espaço para os fisiocratas (de efêmera e fugaz passagem) verificaremos , segundo Hubermann (1986:132) , que " Um número cada vez maior de pessoas não concordavam com a teoria nem como a prática mercantilista. Não concordava porque sofria com elas. Os comerciantes queriam uma parte dos enormes lucros das companhias monopolizadoras privilegiadas. Quando tentaram participar delas, foram excluídos como intrusos". No
site já mencionado vamos encontrar uma definição
atual de Globalização que me parece simplista demais. Ou
seja, "a Globalização é o conjunto de transformações
na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo
nas últimas décadas". Carece essa colocação
de um estudo mais profundo e , por conseqüência, mais consistente.
Recentemente a Universidade do Estado do Rio de Janeiro realizou um Seminário
Internacional: GLOBALIZAÇÃO: o fato e o mito.
Naquela oportunidade, pensadores, economistas, sociólogos, psicanalistas
e mentes dotadas de notório saber das diversas àreas do
conhecimento obtiveram espaço para debater o assunto. A síntese
do encontro foi uma sucessão de libelos contra a Globalização
transformando-se em posicionamentos meramente unilaterais. Como o Direito
não pode em sua essência calcar-se simplesmente numa única
versão cabe, também a academia, proporcionar uma visão
diferenciada daquela manifestada na UERJ. Possibilitando, dessa forma
, a configuração da dialética em toda sua plenitude. O SOCIALISMO O
socialismo visa, em vários graus, a uma forma de sociedade sem
classes, que seria alcançada, principalmente, pela transferência
da propriedade privada para o domínio do Estado e pela substituição
do sistema da livre empresa, normalmente condicionado pelo preço
e pelos mercados livres, por um planejamento central estatal". Seldon & Pennance (1977:442)
Karl Marx , no século XIX, formulou uma teoria da evolução histórica fundamentada numa sequência de fases da organização da atividade econômica em que "a forma de apropriação dos fatores de produção comanda a organização do sistema econômico". A sua teoria divide a história da evolução econômica em quatro fases (apud: Clóvis Massaúd da Silveira, Dissertação de Mestrado 'Geopolítica e Desenvolvimento Econômico' FESP/USP (1978:68) Na primeira: houve
o comunismo primitivo, tendo em conta não haver existido a apropriação
privada; Essas diferentes formas de organização social constituem fenômenos históricos que aparecem na ordem cronológica acima indicada. Para Marx a apropriação privada dos bens de produção gera uma sociedade estratificada em classes cujos interesses são essencialmente antagônicos. Ainda que esses antagonismos provoquem o desenvolvimento das forças produtivas e estas forças as mutações na organização social. A evidência da teoria de Karl Marx constitui-se num teorema segundo o qual a história deve necessáriamente passar por tais fases de determinismos históricos - o que tem sido muito criticado. Essas críticas reportam-se também ao paradoxal da Teoria da Mais Valia. [Para Marx a Mais Valia , no sistema capitalista, fica de posse dos meios de produção (iniciativa privada).] E no socialismo não fica de posse do Estado? Qual a diferença?
O CAPITALISMO "Sistema
social em que o capital é possuído por pessoas privadas
e o trabalho é feito não como um dever costumeiro ou em
resposta as vozes de comando, mas sim em troca de recompensa material
em um sistema de livre contratação......O capitalismo
se diferencia do socialismo pela propriedade privada de capital que
se opõe, assim, à propriedade socializada (normalmente
exercida pelo Estado). Difere do sistema feudal pelo uso extenso que
faz da livre contratação entre empregador e empregado"
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Colim Clark estudou as diferentes estruturas do sistema de produção. A partir da análise da utilização do fator trabalho e dos seus estudos estatísticos, abriu-se uma série de perspectivas que foram explorados após a Segunda Guerra, quando surgiu o problema da reconstrução da Europa e seu desenvolvimento logo em seguida, os quais deram ênfase ao primeiro plano das preocupações políticas. Pelas estatísticas de Clark, chegou-se a conclusão de que não existe desenvolvimento sem industrialização e que o desenvolvimento se traduz em profundas modificações nas estruturas econômicas e sociais, e que a elevação do nível de vida como fênomeno persistente, a longo prazo, não beneficiou senão uma pequena parte da humanidade, prevalecendo de que o desenvolvimento se realiza pela superação de uma série de fases, como uma carreira de obstáculos. Para tanto qualquer processo de industrialização estava centrado num tríplice aspecto: energia, comunicação e sistema viário. Segundo Colim Clark, as sociedades não detentoras desses meios dificilmente teriam condições de se tornarem industrializadas e, por consequência, continuariam subdesenvolvidas. Clark também articulou o que hoje denominamos de Setor Primário, Secundário e Terciário. O curioso é que segundo Antonio Rubbo Muller (meu orientador por ocasião de minha dissertação) esses conceitos foram expostos ao acaso, e tornaram-se palpáveis para a economia ao diferenciarmos as produções da agricultura, da indústria, e do comércio e serviços. Mais tarde, a Organização das Nações Unidas projeta que uma sociedade para ser considerada desenvolvida teria que se adequar a 16 critérios, dentre eles, a predominância da população urbana, radicar o analfabetismo, ingerir 3.154 calorias dia, ser industrializada e outros itens peculiares e, ao mesmo tempo, compreensíveis para a época (década de 60). Estas manifestações servem apenas
para ressaltar que no auge do capitalismo o papel das multinacionais ou
empresas sem pátria, foram dignas de receber a mesma denominação
que hoje cunhamos como Globalização. A NOVA ORDEM MUNDIAL Falar em Nova Ordem Mundial e Globalização dentro de um contexto de Mundo Sem Fronteiras, torna-se, ao natural , pontos caudatários para Economia, Direito e Geopolítica. Aproximadamente, 15 anos passados, o Presidente Mario Soares manifestou de público que o Mundo necessitava de uma reordenação política, econômica e social. Bem, o que se verifica em termos atuais, no que concerne aos aspectos econômicos, é que as sociedades desenvolvidas continuam as mesmas, as vias de desenvolvimento ainda não atingiram seu clímax e predomina de forma assustadora e perigosa uma avalanche preocupante de sociedades subdesenvolvidas, sendo que em alguns países a fome endêmica é uma constante. No que diz respeito a uma nova ordenação política, esse Mundo Sem Fronteiras , em sua esmagadora maioria, está pura e simplesmente ao sabor das grandes potências econômicas. Essa constatação faz com que se desenhe uma nova Geopolítica Mundial onde, pasmem, a Geopolítica em si está de maneira inexorável cedendo espaço para a Geoeconomia. Tal axioma nos conduz invariavelmente a questão de que a Globalização proporcionará o desaparecimento das fronteiras nacionais. Ratificando, ao adentrarmos no campo da Geopolítica/Globalização, o vies geográfico passa a ter um caráter secundário. Ou seja, a Geoeconomia prevalecendo sobre a Geopolítica, por ironia de onde ela surgiu. Finalmente, independente da pseudo novel corrente econômica, o mundo todo passa por um processo estrutural de desemprego. Fruto da Globalização? Não posso afirmar de maneira efusiva. Antes de relacionarmos o desemprego à Globalização mister se faz que se analise o avanço notável da tecnologia, fator de desenvolvimento e concomitantemente gerador do enxugamento da mão de obra operária. Tais acontecimentos de ordem social, dramática e traumática realidade de muitos países terceiro mundistas, com seus desníveis cada vez mais acentuados, invariavelmente catapultarão os Estados a corrigirem esses desequilíbrios sociais. Em se mantendo similar situação , significa indelevelmente uma ameaça constante e atrós às instituições democráticas e à ordem econômica O futuro desenha-se como sombrio? É possível que sim. O ideal é que tivéssemos uma Cassandra, egressa das páginas da Ilíada para , a exemplo de prever que Paris seria a causa da destruição de Tróia, tornar-se uma pitonisa entre nós a fim de orientar-nos. Ou de maneira mais contundente e pragmática, que colaborasse com os futurólogos do Instituto de Hudson. Mas em que pese falarmos sobre a Nova Ordem Mundial na atualidade algumas características atuais também estavam presentes no planeta logo após a Segunda Guerra Mundial. Quero referir-me ao nível de dependência das sociedades subdesenvolvidas e em vias de desenvolvimento em relação aquelas já plenamente desenvolvidas. Essas dependências podem ser tipificadas em três patamares:
a) Efeito Demonstração Os países subdesenvolvidos, via de regra, são dependentes dos altamente desenvolvidos. Fundamentando-se numa ideologia política similar, tentam copiar, amoldar-se aos hábitos, costumes e demais peculiaridades do país maior (já desenvolvidos). Essa dependência faz com que, obrigatóriamente, o país subdesenvolvido cada vez mais fique a mercê do desenvolvido, uma vez que os padrões de consumo e de produção desses são realmente impostos aqueles. Justifica-se essa dependência como única opção, visto que os subdesenvolvidos não detêm condições estruturais de emanciparem-se economicamente. Por outro lado, ainda que um país subdesenvolvido fizesse uma correção de rota de 180 graus quanto ao seu sistema econômico, ficaria também ao sabor de um outro país desenvolvido. Nota-se que a mudança seria, tão somente, de cunho ideológico e não econômico.
b) Das Decisões Caso comum de ocorrer nas sociedades subdesenvolvidas é o fato de elas dependerem totalmente da sociedade desenvolvida. Esses países decidem o que serve e o que não serve. No que tange ao controle de investimentos, mercado e tecnologia, cada vez mais se fazem sentir as diretrizes traçadas pelo país desenvolvido. É compreensível tais medidas.. Um país subdesenvolvido está sempre carente. Ora é uma endemia, ora uma seca, enchente, falta de energia elétrica. Em outras ocasiões a safra é prejudicada por uma intempérie, enfim uma gama de fatores peculiares que tornam o subdesenvolvido cada vez mais dependente do desenvolvido. Situação de ocorrer , ao nível de dependência por decisões, dá-se quando países desenvolvidos concedem empréstimos bilaterais. Ou seja, abrem créditos para os países compradores. Todavia, tais países não podem aplicar os valores no todo ,pura e simplesmente, uma vez que um percentual elevado (aproximadamente 50%) desses recursos são concedidos através de mercadorias pré-estabelecidas pelo país vendedor e não de financiamentos em moeda sonante. Procedimentos dessa natureza somente acarretam um endividamento maior, pois o necessário para atingir um estágio desenvolvido é justamente aplicar poupanças externas em projetos e planos que ativem a arrancada para o desenvolvimento
c) Comércio Internacional Em consonância com as demais dependências, o comércio internacional também permite que o país subdesenvolvido aliene-se ao desenvolvido. É notório observarmos que as nações já desenvolvidas só se interessam pela compra de produtos primários. De outra feita, os produtos industrializados que exportam custam cada vez mais caros. Medidas desse teor fatalmente ocasionam desequilíbrio no balanço de pagamentos. No caso brasileiro, podemos contar com um parque industrial com porte de sociedade desenvolvida. Todavia, nossas exportações superam as importações. E o mais paradoxal, somos a 8a economia do mundo ao mesmo tempo que temos regiões com fome endêmica, bolsões cuja população ingere em média 800 calorias dia , quando o preconizado pela Organização das Nações Unidas, é de 3154 calorias/dia. Em paralelo estamos debilitados na saúde, na educação, na segurança, na corrupção e na nossa descrença que possamos nos desenvolver . No que concerne aos países menos favorecido a situação é mais do que precária, tangenciando ao caos social.
Pergunto senhores: Tais acontecimentos são meramente frutos da
Globalização ou, consequência de governos débeis,
fragilizados e , por que não, em algumas situações,
comprometidos com outros interesses. " Na década de 70, época em que a Globalização mais se alastrou, aparece o Brasil como um país protagonista da Globalização, com seu 'milagre econômico'. Já na década de 80, face ao grande crescimento anterior, o Brasil e os demais países da América Latina viram-se envolvidos num grande endividamento externo, segurando, com isso, o enorme fluxo industrializador em que estavam engajados". Colocação manifesta por Antonio Nery Martins, nosso orientado, na prévia da dissertação de Mestrado em Direito Público da ULBRA , (2001:28) As palavras de meu brilhante aluno conduzem-me natural e novamente a reflexão e posicionamento. Qual resultado da Globalização e da Nova Ordem Mundial nos conceitos e identificações de países desenvolvidos e subdesenvolvidos?
Segundo
a teoria da Prof. W.W. Rostow (1978:210) Isso ocorre porque eles já passaram da fase de intenso desenvolvimento econômico , o 'avanço' , durante o qual o mecanismo autocriador do crescimento foi incorporado à sua estrutura econômica. Em contraste, o crescimento econômico dos países subdesenvolvidos, mesmo sendo muito rápido, provavelmente será temporário e esporádico, detendo-se quando o impulso inicial se tiver esgotado. Por exemplo, uma economia subdesenvolvida que cresça ràpidamente devido à expansão de um produto primário de exportação, mais cedo ou mais tarde, terá uma paralisação, seja porque todos os seus recursos naturais adequados à produção daquela exportação já foram usados, ou porque a procura daquela exportação pelo mercado mundial deixou de crescer, em outras palavras, seu crescimento será detido, seja pelos rendimentos decrescentes ou pela sua incapacidade de passar a novos tipos de atividades econômicas. Assim, o segundo conceito que devemos ter presente sobre os países subdesenvolvidos é que eles não são apenas tipos diferentes, mas também estão em diferentes fases de desenvolvimento. É muito mais difícil distinguir seus diversos estágios de desenvolvimento porque fatores mais sutis e qualitativos estão em jogo. Não obstante, devemos fazer o melhor para nos precavermos contra tentativas de aplicar teorias e diretrizes apropriadas para os tipos mais adiantados de países subdesenvolvidos aos tipos mais atrasados e vice-versa. Os países desenvolvidos compreendem os países do Nordeste da Europa, EEUU, Canadá, Japão, Nova Zelândia e a Austrália. Esses países são altamente desenvolvidos, avançados e industrializados. América Latina, África, Ásia não comunista e Ásia comunista são países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. O maior problema em diferenciar os dois grupos é quando se encontram países com padrão de vida relativamente elevado, mas que têm (ou apresentam) economias deficientes, sujeitas a flutuações no mercado internacional, sobre o qual tem pouco ou nenhum controle. A noção popular de país subdesenvolvido é a de uma sociedade fechada e estagnada no isolamento tradicional, como o Tibete antes da anexação pela China. Paradoxalmente essa sociedade em isolamento completo teria poucos problemas típicos dos países subdesenvolvidos da atualidade. Teria uma renda per capita baixa e estagnada, mas isso não importa se seus habitantes vivem na bem aventurada ignorância dos padrões de vida mais elevados no mundo exterior. A sociedade tibetana não teria o problema de depender de umas poucas mercadorias primárias, cujos preços flutuam velozmente no mercado mundial Sem empresas estrangeiras operando nela, e sem domínio colonial, tal sociedade estaria livre de qualquer ressentimento real ou imaginário contra o domínio econômico estrangeiro e a exploração colonial. Em contraste, os problemas típicos dos países subdesenvolvidos da atualidade surgem não porque eles se coloquem num estado de isolamento tradicional, mas porque foram abertos a forças exteriores, na forma de comércio exterior, investimentos e domínio colonial. A expansão da produção de exportação e a difusão da economia monetária abalaram, em proporções variáveis, a auto-suficiência econômica da tradicional economia de subsistência. A introdução de uma estrutura ordenada de administração pelos governos coloniais e a previsão de serviços públicos básicos, especialmente saúde pública, reduziram as taxas de mortalidade e provocaram um crescimento rápido da população. Isso perturbou o equilíbrio tradicional entre a população , os recursos naturais e a tecnologia. É claro que a sociedade tradicional ainda persiste em graus diferenciados na maioria das sociedades subdesenvolvidas na forma de economia de subsistência e, como iremos ver, isso domina a vida econômica de muitos países, particularmente na África. Mas ainda é certo dizer que os problemas típicos da atualidade nesses países surgem, não do isolamento tradicional, mas das variações modernas. Em certo sentido todos os países subdesenvolvidos estão em etapas diferentes do longo período de transição, no qual tem que se adaptar a um constante processo de modificações rápidas e desequilibradoras. A desigualdade econômica e social numa sociedade subdesenvolvida tem características bem marcantes. Há correntes de pensamento que atribuem a industrialização multinacional esse hiato brutal através , entre outros , da mão de obra barata e , em muitos casos de abundância de matéria prima. Prosseguindo, em que pese a Globalização, o fato inconteste é que aproximadamente há 20 anos as maiores cadeias alimentares do mundo estão nas mãos da Casa de Windsor. Numa publicação de 1997, a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul editou uma publicação denominada de LIVRO VERDE, onde taxativamente comprova que organizações como Nestlé, Cargill, Kibon, Gessy-Lever entre outras tem como acionistas a Família Real Inglesa. Mais ainda, no corpo do texto percebe-se que a fome do mundo poderá tornar-se uma arma tão terrível quanto as ogivas nucleares. O que estamos fazendo? Nós, como sociedade emergente (eufemismo para país em desenvolvimento) estamos também ao sabor das grandes potências. Recentemente, ao desenvolver um trabalho de Reflexão Estratégica na Empresa Brasileira de Aeronáutica - EMBRAER, junto a 7 de seus executivos, comentamos o protecionismo que o Canadá concedeu a sua empresa Bombardier. A reação do Brasil foi magnifica e , através dela, nossos aviões comerciais estão penetrando também nos mercados europeus e americanos.
E volto a perguntar: independente dos grandes conglomerados, uma ação
governamental forte não seria suficiente para diminuir o impacto
da Globalização? Antes
de analisarmos alguns conceitos pertinentes cumpre sintetizar , na itemização
abaixo, algumas das principais características da Globalização; 1a) mundialização da economia; 2a) fragmentação das atividades produtivas nos diferentes terrritórios e continentes; 3a) desconcentração do aparelho estatal; 4a) expansão de um direito paralelo ao Estado; 5a) internacionalização do Estado; e, 6a) desterritorialização e reogarnização do espaço de produção.
Vejamos alguns conceitos e suas respectivas análises: "
A solução multinacional multicultural é, na verdade,
a mais sofisticada que já surgiu de um dos debates mais antigos
da teoria da administração: a questão da Globalização"
Micklethwaite & Wooldridge
Essa conceituação manifesta uma tendência de sufoco por parte das grandes empresas. Contudo , vale também lembrar Micklehwaite & Wooldridge (1998:191) ao explicitarem em rápidas palavras outro vies da Globalização. Para esses autores "longe de permitir que alguns gigantes dividissem o mundo entre eles , a Globalização sujeitou claramente essas empresas à competição ferrenha". O irônico dessas colocações é que para cada uma das encontradas achamos outra que ora encadeava-se, ora convergia ou divergia do conceito precedido. No que diz respeito a manifesta no site supra mencionado, Domenico de Masi (2000-386) contrapõe com uma visão menos pessimista aproximando-se mais do pensamento de Wooldridge ao dizer que: "Na maioria dos casos, a empresa procura aniquilar, comercialmente, os próprios concorrentes. Mas, também neste caso, se buscam sistemas através dos quais o concorrente vencido não seja destruído, mas assimilado. A contrapartida é o patrimônio de know-how, de homens e de idéias, de modo que é mais vantajoso incorporá-los às próprias unidades produtivas em vez de eliminá-lo. Isto é o que acontece normalmente com a globalização da economia". Numa tentativa de sistematização conceitual não podemos deixar de evocar J.P. de Almeida Magalhães (1998:12): " A idéia de Globalização é polêmica já quanto às suas origens. Uma corrente de pensamento lhe apresenta como mera decorrência da evolução do capitalismo, enquanto outra como circunstância nova e revolucionária, nascida do uso de novas tecnologias e objeto de mudança radical nas relações econômico-financeiras" . Apud Olindo Barcellos da Silva (2000-21) meu aluno, num dos trabalhos exigidos por ocasião da disciplina Estado , Geopolítica e Poder do curso de mestrado em Direito Público da ULBRA.
Outrossim, devo ressaltar uma colocação saudável de um senhor inglês, conhecido por sua notável experiência em consultoria comportamental e pela suavidade , sutileza e forma reflexiva com que escreve. Reporto-me ao Sr. Charles Handy (1997: ). Ei-lo: " ' Que padrões ela tem?' minha mãe sempre me fazia essa pergunta sobre as namoradas que eu levava para casa". Parafraseando Handy: Que padrões tem a Globalização se até agora ainda não conseguimos entendê-la de todo? As correntes divergentes estão presentes no cotidiano através da imprensa escrita, televisa, da internet e nas academias. Mas o que temos será o suficiente? Creio firmemente que encontramos a tese e a antítese. Todavia, urge que encontremos a síntese. E aí senhores vale lembrar as palavras do Prof. Emir Sade por ocasião do Seminário Internacional sobre a Globalização: a discussão de temas envolvendo também a sociedade é "função pública que a Universidade tem que assumir cada vez mais". A discussão sobre UM MUNDO SEM FRONTEIRAS e A NOVA ORDEM MUNDIAL não pode nem deve extinguir-se nesse Seminário, já que não é um fim em si mesmo. A Universidade Luterana do Brasil , através de seus diversos cursos poderá , através da Pró Reitoria de Extensão, promover novo evento onde procuraria de forma eclética buscar a SÍNTESE mencionada anteriormente. É o dever de cada um de nós na medida direta que integramos esse Mundo Sem Fronteiras e vivenciamos a Nova Ordem Mundial. Finalmente reporto-me a Éduard de Bono ( 2000:30), " O juízo é essencialmente um sistema de reflexão, de olhar para trás. Isso é suficiente para a maior parte de nossos pensamentos e comportamentos, mas também precisamos de fórmulas que nos permitam olhar adiante e inovar". Reitero aqui, através das palavras de De Bono, a necessidade da academia, no caso a ULBRA, promover um grande fórum sobre a Globalização, através do debate, da reflexão e da prospecção. Muito Obrigado
BIBLIOGRAFIA
INTERNET: *Clóvis Massaúd da Silveira é Mestre em Geopolítica e Doutor em Administração. Professor nos cursos stricto sensu e pesquisador da ULBRA e professor dos MBA da Fundação Getúlio Vargas. [ Artigos ] [ Eventos ] [ Cursos ] [ Prospecção de Cenário - Método Delphi ] [ Literatura ] [ Cadastro ] [ Fale Conosco ] [ Chat ] [ Home ] |