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1)
INTRODUÇÃO Não obstante, através da obstinação de certas pessoas, tentou-se dar uma nova dimensão ao quadro presente. Ou seja, ex-funcionários de empresas aglutinaram-se e começaram a formar cooperativas de trabalhadores na tentativa de amenizar o impacto do fechamento de fábricas e empresas comerciais. Porém, no que concerne ao referencial conceitual, verificou-se uma confusão inicial entre cooperativas de serviços e cooperativas de trabalhadores. A Organização Internacional do Trabalho, através da publicação MATCOM - Capacitação para a Gestão de Cooperativas, de autoria de Malcolm Harper, define que a "finalidade das cooperativas de trabalhadores não é proporcionar serviços a seus sócios, mas uma fonte de trabalho. Os sócios de uma cooperativa de trabalhadores trabalham nela e são os proprietários dela". Por outro lado, o próprio autor salienta que as cooperativas de serviços existem para prestar serviços de comercialização, fornecimento, aluguel de equipamentos, crédito e outros serviços similares aos sócios. Deve-se considerar que as cooperativas de serviços são abundantes e contemplam uma boa experiência de atuação. Em contrapartida, as cooperativas de trabalhadores são praticamente embrionárias e encontram-se desprovidas de uma otimização na capacitação de seus quadros diretivos e operativos. Realizada essas considerações iniciais, devemos adentrar na razão de ser da pesquisa propriamente dita. Ou seja, qual o perfil das cooperativas de trabalhadores de Região Metropolitana de Porto Alegre? Como foi efetivada sua(s) implantação(ões)? Quais seus aspectos legais e embasamento filosófico? E, finalmente, qual a gestão estratégica praticada (incluindo-se aí a cultura organizacional, mobilidade e flexibilidade do grupo frente a um processo de mudança, processo de interação entre as áreas funcionais e o papel da gestão para a colimação dos objetivos previstos). Tais turbulências e a característica pouco praticada de tal exemplo de cooperativa tendem, inevitavelmente, a desarticular qualquer pretensão de elaborar-se uma política adequada ao setor. Isto de forma preliminar. Essas afirmativas nos direciona indelevelmente a uma reflexão. Como analisar o segmento das cooperativas de trabalhadores da Região Metropolitana de Porto Alegre apenas sob o ponto de vista econômico, quando outras modalidades de cooperativas encontram-se em situação de liquidez exemplar? Ou, e a interrogação fica mais contundente, teremos a presença de outras variáveis? Apenas hipotizando-se: gerenciamento inadequado? A proposta do presente trabalho foi identificar e avaliar, dentro de uma concepção, a mais adequada possível, quais vetores que nortearam o gerenciamento e comportamento dos associados das cooperativas de trabalhadores. Outro aspecto, também relevante, foi detectar-se as fragilidades e os pontos otimizáveis das cooperativas, a fim de tomarem-se medidas possíveis para amenizar a agudez atual do desemprego na região Metropolitana de Porto Alegre. Para tanto, foi necessário identificarmos as origens da criação das Cooperativas de trabalhadores e sua respectiva situação atual. Essa reflexão nos direcionou a uma questão desdobrada em três itens. Vejamos: 1) Pela
conjuntura nacional?
2) METODOLOGIA DESENVOLVIDA A fim de detectar-se com segurança uma pesquisa desta natureza, o recomendável é que se trabalhasse com dez por cento (10%¨) de amostra. Elegemos (50) cooperativas o que significou (27%) das Cooperativas de trabalhadores registradas nas Organizações das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul - OCERGS, o que, cientificamente, apresentaria um elevado grau de segurança. Mais ainda, refletiria uma proporção dentre os vários segmentos existentes em relação a tipologia, a localização e a distribuição geográfica. Porém, retornaram matrizes, questionários e exercícios complementares de apenas (38%) cooperativas de trabalhadores dos (50) enviados, culminando com uma amostra de (21%). Considerado, ainda assim, como amostra considerável. Dos aproximadamente 25.000 associados a cooperativas de trabalhadores, nessa pesquisa observou-se 2.894 associados de 38 Cooperativas de.Trabalhadores. Ao longo do projeto, e como forma caudal, desenvolveu-se uma práxis metodológica que nos capacitou, através de uma fonte cíclica e científica de informações (método delphi de cenários, matrizes analíticas de cultura organizacional, matriz de gestão aplicada, instrumentos de mensurar o nível motivacional dos associados e questionários diversos), a traçarmos o perfil econômico e financeiro das cooperativas de trabalhadores da Região em estudo. Tais informações , devidamente analisadas, foram fundamentais para a identificação dos problemas mais emergentes que acusaram os eventos mais graves por que passam atualmente um percentual significativo das Cooperativas de Trabalhadores, o que, enfim, permitiu subsidiar a tomada de decisão num aspecto tridimensional: a)
Pelo poder público federal (conjuntura nacional e política econômica);
3) IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DOS ASPECTOS ITEMIZADOS 3.1 Pela Conjuntura Nacional Constatou-se
o agravamento, como expressão contínua e intensa, da situação do desemprego
na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ou seja, o estado de ruptura
social em que se encontra um percentual significativo de desempregados.
Não se tratou de compor, na pesquisa efetivada, todo um quadro comparativo
e analítico crítico em termos nacionais, mas, apenas dentro do pragmatismo
necessário, o fenômeno como tal, localizado dentro da área predeterminada
como objeto da pesquisa desenvolvida, não desprezando, obviamente, o cenário
Rio-grandense e o registro de conotações com outros estados brasileiros. Oportunizou-se, de forma inconteste, um projeto que contemplasse proposições exeqüíveis para a cognose do quadro atual, em todas suas dimensões e prognóstico correspondente, e , mediante instrumentos indicativos como pertinentes, contemplar-se e conter-se, sempre que possível, o estágio perturbador da situação. 3.2. Pelas Federações (carência de uma ação política mais consistente) Por longo tempo as Organizações das Cooperativas dos Estados (principalmente OCERGS - Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul e OCEPAR - Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) centraram suas atenções para as cooperativas de grãos, ou melhor tipificando, as cooperativas agro-industriais. Porém, por razões várias, muitas delas não tiveram sucesso e acabaram sendo absorvidas por outras congêneres de maior porte ou, o que se constituiu em fato lamentável, foram adquiridas por organizações sem cunho cooperativo. No caso das Cooperativas de Trabalhadores o que se verificou, através da pesquisa e análise, foi que muitas empresas, ao sentirem a crise provocada também pelo Plano Real e a liberação das importações de produtos similares da Ásia, despediram seus empregados e os orientaram a criarem Cooperativas de Trabalhadores. Em última instância, sugeriram que criando-se Cooperativas de Trabalhadores as empresas afetadas pela crise teriam seu custo operacional sensivelmente reduzido, na medida direta em que terceirizassem seus serviços. Ipsum facto, os ex-empregados não ficariam ao sabor amargo da falta de renda para sustentarem suas famílias nem (e cabe aqui um momento de reflexão por parte do Estado) perderiam o que se entende por sentimento de cidadania. Ditas estas considerações iniciais , aborda-se agora a ação da Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul e Federação do segmento em questão. Até que ponto estas entidades contribuíram, efetivamente, para uma orientação sustentável no sentido de estruturar-se uma Cooperativa de Trabalhadores dentro dos princípios filosóficos, legais e execução de gestão? O retorno que se teve é de que as entidades mencionadas, além de pouco orientarem aqueles desempregados e pessoas interessadas na criação de uma entidade cooperativa, pouca atuação tiveram no sentido de clarificar o real sentido cooperativo. Compreende-se a aderência imediata dos desempregados em criarem cooperativas sem preocuparem-se, naquele momento, com a legislação pertinente. Entre elas, no que concerne às leis sociais e demais tributos. O que se observou na pesquisa é de que um percentual significativo (73%) está desorientado e frustrado por saber que não está sendo contemplado com férias, décimo terceiro salário e fundo de garantia por tempo de serviço. Constata-se aqui a falta de uma orientação mais sugestiva. Evidente que foi passada a idéia de que os cooperados são "donos" da cooperativas. Todavia, o que mais salientou-se na pesquisa foi a dura realidade de alguns empresários que, no intuito de diminuir sua carga de impostos, sugeriam a criação das Cooperativas de Trabalhadores sem o devido respaldo de tarefas, isto é, ficaram à mêrce dos "pedidos" de seus ex-patrões. O que fica evidenciado foi a falta de um direcionamento adequado no que se constitui realmente uma cooperativa. Principalmente uma Cooperativa de Trabalhadores. Simultaneamente, verificou-se a falta de uma ação política junto a entidades classistas patronais e órgãos do governo, no sentido de um amparo legal aos associados dessas cooperativas. Mais ainda, o ingresso de empresários transmutados em cooperados a fim de aumentarem seus lucros (o que dentro do enfoque capitalista não é funesto) ferindo , entretanto, os valores sociais e filosóficos dos princípios de Robert Owem. Neste sentido vale ressaltar o parecer de Virgilio Perius, um dos juristas de renome no segmento cooperativo, quando recomenda que a nova lei terá que contribuir para a estruturação interna das cooperativas, contemplando, entre outros dispositivos, que "a proibição de ingresso dos agentes de comércio e empresários no quadro das cooperativas, cuja regulamentação continua na forma da legislação vigente " (Périus-1995). Ratifica-se, assim, a falta de uma ação política consistente por parte das entidades que coordenam as ações das cooperativas, incluindo-se aí as de trabalhadores. 3.3. Pela ação das Diretorias (padrões de gerenciamento) Amostra: 38 cooperativas de trabalhadores, compreendendo 2894 associados Reside aqui um dos pontos inquietantes da pesquisa,isto é, a gestão praticada nas Cooperativas de Trabalhadores. Num primeiro momento, a preocupação foi analisar a cultura organizacional praticada pelas cooperativas, após elencarmos alguns quesitos integrantes das atitudes e opiniões gerenciais. Prosseguindo, verificamos a tipologia de gestão praticada nas cooperativas. Numa concepção moderna de gerenciamento o ideal seria que as cooperativas de trabalhadores tivessem uma noção básica do cooperativismo empresarial, o que , de certa forma, parece ferir os procedimentos 7 filosóficos do processo cooperativo. Contudo, não se trata, pura e simplesmente, do enfoque meramente empresarial. Vale lembrar a socióloga Terezinha de Castro Oliveira ao manifestar que "Para a cooperativa, que é uma empresa comunitária, possa avançar e se alicerçar, deve ser permanente a preocupação com a formação de seus dirigentes, associados e funcionários. Por ser uma empresa de características diferentes, seus associados são, ao mesmo tempo, donos e trabalhadores. Como donos, têm de se preparar para gerir a cooperativa e, como trabalhadores, têm de estar constantemente se reciclando, a fim de que sejam os melhores profissionais da àrea" Essa visão da socióloga tangencia o ideal dos procedimentos cooperativos. O que a pesquisa desenvolvida em (38) Cooperativas de Trabalhadores da Região Metropolitana de Porto Alegre, abrangendo (2.894) associados, revelou que o quadro atual está longe daquele ideal preconizado. Outro ponto relevante é a interação entre a cooperativa e o ambiente na qual ela está inserida. Em artigo publicado em Cadernos CEDOPE afirmamos que " A organização que não adequar-se ao ambiente, inevitavelmente, terá dificuldades de sobreviver num mercado competitivo e com uma plêiade de concorrentes. Fatores caracteristicos do momento atual (Massaúd-1995). Constatou-se agora, 1999, que o cenário atual extrapolou aquele percebido em 1995.
4) APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE ANÁLISE E RESPECTIVO DIAGNÓSTICO 4.1. Cultura da Organização Cultura Organizacional são hábitos e costumes mantidos e praticados pela Organização (no caso em pauta pelas Cooperativas de Trabalhadores), independente de sua concepção orgânica (formal ou informal). A cultura organizacional reflete o espelho gerencial da cooperativa. Não se trata de ter-se uma tipologia padrão melhor ou pior. Trata-se, isto sim, de um processo emanado pela cúpula da empresa (cooperativa) o qual, invariavelmente, vai refletir nos atos e práticas dos demais associados. A pesquisa nos apresentou a seguinte pontuação no item Cultura Organizacional e sua respectiva predominância, no caso em pauta a cultura diretiva. Ou seja, segundo a matriz do Tavistock Institute Cultura com Ambiente Diretivo reflete que a organização/cooperativa "TENDE A HAVER POUCA PARTICIPAÇÃO DOS SUBORDINADOS NAS DECISÕES DA ORGANIZAÇÃO. O PODER TENDE A CONCENTRAR-SE NAS MÃOS DA ALTA ADMINISTRAÇÃO. OS SUBORDINADOS (no caso, os associados) APENAS EXECUTAM AS ORDENS RECEBIDAS, SEM GRANDES POSSIBILIDADES DE EXERCER CRIATIVIDADE OU DE INOVAR. NÃO LHES É PERMITIDO ESCOLHER, GERALMENTE, COMO FARÃO O TRABALHO, DE VEZ QUE AS ORDENS VINDAS DE CIMA É QUE DETERMINAM COMO DEVERÃO FAZÊ-LO. PODE HAVER SÉRIOS DESCONTENTAMENTOS NA BASE DA PIRÂMIDE ORGANIZACIONAL, MAS SÃO EM GERAL DESCONTENTAMENTOS CAMUFLADOS E OCULTOS DO PESSOAL DE CHEFIA, UMA VEZ QUE OS SUBORDINADOS (associados) TEMEM PUNIÇÕES. INDIVÍDUOS MUITO AUTÔNOMOS E AGRESSIVOS PROFISSIONALMENTE SOMENTE SE DARÃO BEM NESTA ORGANIZAÇÃO SE OCUPAREM POSIÇÕES DE PODER NA HIERARQUIA. EM POSIÇÕES SUBORDINADAS, TENDERÃO A SAIR OU CRIAR PROBLEMAS".
Fonte: Clóvis Massaud (1999)
4.2. Mobilidade e Flexibilidade (M&F) Aqui procurou-se verificar o grau de mobilidade e flexibilidade (M&F) das cooperativas ou seja, sua agilidade operacional e funcional frente a um processo de mudanças. Deve-se considerar que, modernamente, as empresas devem estar em constante observação da ambiência externa, na qual as cooperativas de trabalhadores estão inseridas, a fim de dar uma resposta imediata às manifestações ambientais de fora da cooperativa. Não obstante, além da M&F, pela matriz podemos detectar o nível de reação que a cooperativa, via associados-trabalhadores e funcionários , terão ou não, frente a um processo de mudança planejada. Este item (reagente/não reagente), ao contrário da cultura e da M&F, não é conclusivo. Pode-se considerá-lo, inicialmente, meramente especulativo. Serve apenas como indicativo que será confirmado através de outros aplicativos mais contundentes no processo de diagnose. No quadro abaixo encontra-se a tabulação da Mobilidade e Flexibilidade das (38) Cooperativas de Trabalhadores. Predominou, com um diferencial bastante significativo, um percentual de 47,3% com (30), ou seja, o grupo é reagente frente a um processo de mudança. Considerando a cultura diretiva, isso demonstra e confirma o grau de insatisfação da grupo pesquisado. Ou seja, qualquer procedimento de intervençaõ planejada que a direção quisesse introduzir na cooperativa seria , discretamente, boicotado. Tal posicionamento nos direciona de forma caudatária a um processo inegável de trabalhar-se a "cabeça" da direção das cooperativas e , simultaneamente, criar mecanismos motivacionais nos associados. Cumpre ressaltar que a pontuação mínima seria de 35 pontos. Ainda assim, dever-se-ia trabalhar a direção da cooperativa.
4.3. Atitudes e Opiniões Gerenciais Esta matriz, embora identifique (20) itens a serem analisados na organização, apresentou em suas respostas apenas (7) indicativos. Originariamente conduz a um processo analítico em três áreas substanciais da organização: problemas de liderança, problemas de valores e problemas de estrutura. Na análise efetuada nas Cooperativas de Trabalhadores constatou-se que , exceção à percepção do meio ambiente que predominou como ponto forte com 60,5%, os demais indicativos encontram-se como pontos fracos. Isto nos conduz a uma reflexão do processo de reformulação orgânica e diretiva que deverá ocorrer nas Cooperativas de Trabalhadores da Região Metropolitana de Porto Alegre. A falta de habilidade dos executivos e a falta de controles se afiguram como pontos fracos bastante preocupantes. Porém, a falta de comunicação e/ou comunicação inadequada mais o sistema de processo decisório são outros pontos considerados com certo grau de fragilidade.
Fonte: Clóvis Massaud (1999) 4.4.
Liderança Não cabe aqui uma explicação acadêmica do ideal de liderança, das características pelas quais deve pautar-se a ação de um líder. No presente artigo, resultado de uma pesquisa de campo, objetivamos a aplicabilidade desenvolvida pelos executivos passíveis das análises já mencionadas. As modernas correntes de administração preconizam os procedimentos que os líderes devem adotar. Isto é a busca constante do equilíbrio entre os dois subsistemas que formam uma organização. Tal corrente de pensamento, é repousário do Enfoque Sócio-Técnico (Trist-1960) que preconiza que toda e qualquer organização, independente de sua tipologia, deve manter dois subsistemas. O SubSistema Social que preocupa-se com a área comportamental e o SubSistema Técnico , cujo enfoque é centrado na produção. Todavia, o que o executivo deve perceber e desenvolver em sua organização é que esses dois sub sistemas devem manter um nível de equilíbrio entre si. Em não ocorrendo tal situação, teremos duas vertentes preocupantes. Se o enfoque salientar-se mais no SubSistema Social, corre-se o risco de termos uma organização centrada no paternalismo. Por outro lado, se verificarmos que o enfoque predominante visualiza o SubSistema Técnico, provavelmente a organização direcionar-se-á mais em direção à produção e, concludentemente, não valorando os recursos humanos da empresa (ou no caso em pauta, as Cooperativas de Trabalhadores). Ambas situações não são consideradas saudáveis para a cooperativa. (Richard Beckhard. - 1982) A pesquisa nos indicou que (50%) concludentemente das Cooperativas de Trabalhadores apresentam um estilo de liderança centrados em Tarefas, o que coincide com a cultura organizacional predominante que é a diretiva. Mais ainda, a pesquisa também enfatizou, como ponto fraco prioritário, a falta de habilidade dos executivos das cooperativas. Observa-se, num primeiro momento, através da aglutinação de indicativos, que o estágio atual nas cooperativas está fortemente agregado à capacidade de gestão aplicada e desenvolvida.
4.5. Amostra de Renda (2894 associados) Com relação às faixas mensais de retiradas de numerário (no caso dos associados de cooperativas não existe a figura do salário), observa-se que predomina , com larga margem de diferença em relação à segunda escala pontuada, um valor de até R$200,00 (duzentos reais) mensais. Outro aspecto a considerar, e que já está manifesto ao longo deste artigo, é que os cooperados não são contemplados com férias remuneradas, décimo terceiro e fundo de garantia por tempo de serviço. Mais ainda, devem recolher o INSS como se autônomos fossem. O que acarreta um decréscimo significativo na sua renda mensal. Vamos postergar para a fase de conclusões outras considerações sobre a renda dos cooperados.
4.6. Nível de escolaridade A amostra nos revelou que 65,78% dos pesquisados possuem o segundo grau completo. Talvez resida aí, a impraticabilidade de procedimentos gerenciais modernos, refletindo, dessa forma, uma gestão mais intuitiva do que racional propriamente dita.
Fonte: Clóvis Massaud (1999)
4.7. Motivograma (segundo as necessidades humanas de Maslow) A busca constante, perene e segura do ideal de gestão tem sido a tônica dos cientistas que direcionaram seus talentos em prol da administração. De forma que essa árdua tarefa de otimizar a vida organizacional, dentre elas as Cooperativas de Trabalhadores, contém, em seu âmago, a contribuição de engenheiros, administradores, psicólogos, economistas e outras ciências que compõem o mosaico do conhecimento humano. Assim sendo, os fatores motivacionais, e aqui adentrando na àrea da psicologia organizacional, foram passíveis de estudos tendo como sistema caudatário as motivações que levam o indivíduo a realizar-se, inclusive, profissionalmente. Dentre os pensadores que nortearam suas atividades em prol daqueles fatores, encontramos Maslow. Sua Hierarquia das Necessidades Humanas, ainda que considerada obsoleta por alguns cientistas da àrea comportamental, tem colaborado no sentido de melhor compreender a ambiência comportamental interna das organizações e tentar humanizar a empresa que, normalmente, até então, direcionava suas preocupações calcadas nas tarefas e na estrutura orgânica. No quadro a seguir, identificamos as necessidades prioritárias das Cooperativas de Trabalhadores passíveis da pesquisa. No item onde constatou-se a predominância de necessidades fisiológicas e de segurança no trabalho (entende-se como cooperados), destinado a conclusões, retomaremos o assunto.
Fonte: Clóvis Massaud (1999)
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